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Fabiano Henrique

Fabiano Henrique

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A humanidade ainda vive nas cavernas... Imagine um grupo de quatro ou cinco pessoas. Imagine agora que elas vivessem confinadas em uma caverna. Suponhamos que tais pessoas nada mais vissem do mundo externo senão as sombras dos seres e coisas projetadas nas paredes. Imagine, pois...

Certo dia, um dos internos ganha a liberdade. Ao gozá-la, tem contacto com o mundo exterior. Lá, vê animais, plantas, pessoas e objetos dos mais diversos. Imagine o choque sentido por ele ao ver o real; coisas que ele apenas vira projetadas nas sombras.

Perplexo, o recém-liberto retorna a fim de contar a novidade aos antigos companheiros. Entretanto, contrariamente ao que ele poderia supor, os colegas taxam-no de louco e mentiroso. Descrendo numa realidade além das sombras que vêem, revoltam-se contra ele. Humilham e matam o "visionário".

Essa parábola, imperfeitamente baseada no mito da caverna, de Platão, ilustra o que acontece com aqueles que vêem além das aparências, que pensam além do seu tempo. Percebem uma realidade impossível de ser captada em sua essência pelo senso comum. Ao comunicarem tais novidades, são escarnecidos, vilipendiados e até mesmo eliminados.

De forma análoga vem ocorrendo ao longo da história da humanidade. Sócrates fora obrigado a beber cicuta por alertar a comunidade acerca do engodo dos sofistas e por defender a ética e a virtude. Jesus fora crucificado por ensinar o amor, a paz, o perdão das ofensas e a vida além da vida. Zamenhof, o criador do esperanto, fora ridicularizado e teve sua família dizimada, apenas por propor à humanidade um instrumento de comunicação neutro, fácil e ao alcance de todos. Outros tantos viveram o mesmo drama: Galileu, Copérnico, Einstein, Tiradentes, Santos Dummont...

Pois bem, a humanidade - ou pelo menos sua grande maioria - ainda vive nas cavernas. Por uma questão de moda, vaidade, comodidade ou mesmo preguiça de pensar, os homens preferem curvar-se ao algoz e aprender o idioma de seu dominador. Tolamente, não percebem que é quase impossível falar perfeitamente uma língua que não se pode vivenciar diariamente. E mais: ao falar de modo imperfeito, corrompem-se as idéias a serem expressas o que põe as pessoas em situação de inferioridade ante os falantes nativos. Será que não é isso o que vem ocorrendo atualmente?

Zamenhof saiu do mundo acanhado do senso comum e criou uma língua neutra e fácil de aprender. Desgraçadamente, há mais de 100 anos, os homens das cavernas zombam das idéias dele. Entretanto, esses mesmos homens comprazem-se nas sombras em que vivem - seu mundo tacanho e egoísta. Quem acompanhou o pensamento de Zamenhof entendeu que a humanidade é muito mais do que a selva das individualidades. É a união de mentes e corações em prol do bem comum. E o esperanto nada mais é do que o meio mais justo, simples e prático para a intercompreensão de todos os membros da grande família mundial.

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