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Artigo do Jornal: Jornal Novembro 2018
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Precisamente no 2º dia de novembro, os cemitérios ficam superlotados, porquanto as pessoas que lá acorrem desejam reverenciar seus mortos. É comum, nesse dia, a colocação de flores nas lápides, bem como a prática habitual de acender velas. Contudo, o ato mais importante, essencialmente necessário, é a prática da oração, dirigindo sua concentração em direção aos queridos entes desencarnados.

A Doutrina Espírita, em sua obra básica, denominada de “O Livro dos Espíritos”, aborda o assunto “Dia de Finados”, nas questões 320 a 326, relatando que os espíritos são sensíveis à saudade dos que os amavam na Terra e a lembrança marcante dos encarnados aumenta a felicidade dos seres espirituais que estão contentes e proporciona alívio aos que padecem da tristeza. O que atrai os seres extrafísicos é exatamente o pensamento e a oração dirigidos a eles, não importando o dia e o local. A prece é que santifica o ato da lembrança. Reafirma o espírito Emmanuel: “Pensa neles com a saudade convertida em oração”. (1)

Igualmente, é ressaltado, na obra codificada pelo magnânimo Kardec, que o desejo de o indivíduo ser enterrado de preferência em um lugar revela inferioridade moral, porquanto para alguém mais elevado nada representa um pedaço de terra mais do que outro. Além de tudo, enfatiza que o encontro com os parentes e amigos amados ocorrerá, independentemente de que os seus ossos estejam separados na cova. Ao mesmo tempo, não considera como futilidade a reunião dos despojos mortais de todos os membros de uma família, desde que “é um costume piedoso e um testemunho de simpatia pelos entes amados”. Aliás, os benfeitores do além-túmulo afirmam que “se essa reunião pouco representa para os espíritos, é útil para os homens: suas recordações se concentram melhor”.

Quanto a alma ser sensível às honras que tributam aos seus despojos mortais, é explicado que se “o espírito já chegou a um certo grau de perfeição não tem mais a vaidade terrestre e compreende a futilidade de todas as coisas”. A codificação kardeciana aponta que “frequentemente, há espíritos que, no primeiro momento da morte, gozam de grande satisfação com as honras que lhes tributam, ou se desgostam com o abandono a que lançam o seu envoltório, pois conservam ainda alguns preconceitos deste mundo”.

Encerrando o assunto em tela, os mestres do além afirmam que “o respeito que, em todos os tempos e entre todos os povos, o homem consagrou e consagra aos mortos é efeito da intuição natural que tem da vida futura”, isto é, de que os mortos vivem na dimensão espiritual.

Portanto, é importante, no dia 2 de novembro ou em qualquer ocasião, que os encarnados estejam sintonizados com o Alto, em estado de oração, sintonizando-se com os que se encontram na dimensão da imortalidade. É gratificante para os desencarnados serem lembrados no momento em que os chamados “vivos” estão praticando boas ações, exercendo a caridade, em homenagem aos seus finados. As vibrações de agradecimento e reconhecimento dos atos amorosos são recebidas pelos “mortos”, sentindo-se felizes e gratos.

 

O Espiritismo e a Imortalidade

 

A Doutrina Espírita ensina que, diante do fenômeno biológico da falência dos órgãos, os seres mudam apenas de vestimenta, permanecendo suas individualidades, com as mesmas emoções, os mesmos anseios, as mesmas atitudes, os próprios desejos e pensamentos. Enfim, os espíritos têm consciência de suas individualidades, havendo vida de relação no além. Disse o mentor Emmanuel: “Quando semelhante provação te bata à porta, reprime o desespero e dilui a corrente da mágoa na fonte viva da oração, porque os chamados mortos são apenas ausentes e as gotas de teu pranto lhes fustigam a alma como chuva de fel. Também eles pensam e lutam, sentem e choram”. (2)

Na Codificação Kardeciana, onde sobeja o conhecimento das leis que regem as relações do Espírito e da matéria, recebemos informações valiosas a respeito do que acontece no chamado fenómeno da morte.

De início, o ensinamento básico de que a alma se separa do corpo físico por desprendimento dos laços que a prendem. Em realidade, os liames são desatados e nunca quebrados. (3)

Quanto ao fato de a alma não ter consciência de si mesma imediatamente após deixar o veículo somático, a Doutrina Espírita ensina-nos o seguinte: "... Aquele que já está purificado, se reconhece quase imediatamente, pois que se libertou da matéria antes que cessasse a vida do corpo, enquanto que o homem carnal, aquele cuja consciência ainda não está pura, guarda por muito mais tempo a impressão da matéria". (4)

Allan Kardec, comentando o tema, relata que essa "perturbação apresenta circunstâncias especiais, de acordo com os caracteres dos indivíduos e, principalmente, com o gênero de morte".

Afirma o Mestre francês que "nos casos de morte violenta, por suicídio, suplício, acidente, apoplexia, ferimentos, etc., o Espírito fica surpreendido, espantado e não acredita estar morto." (5)        

Diz o Codificador que o Ser Espiritual "vê o seu próprio corpo, reconhece que esse corpo é seu, mas não compreende que se ache separado dele. Acerca-se das pessoas a quem estima, fala-lhes e não percebe por que elas não o ouvem. Semelhante ilusão se prolonga até ao completo desprendimento do perispírito. Só então o Espírito se reconhece com tal e compreende que não pertence mais ao número dos vivos. Este fenômeno se explica facilmente. Surpreendido de improviso pela morte, o Espírito fica atordoado com a brusca mudança que nele se operou; considera ainda a morte como sinônimo de destruição, de aniquilamento. Ora, porque pensa, vê, ouve, tem a sensação de não estar morto.

“Mais lhe aumenta a ilusão o fato de se ver com um corpo semelhante, na forma, ao precedente, mas cuja natureza etérea ainda não teve tempo de estudar. Julga-o sólido e compacto como o primeiro e, quando se lhe chama a atenção para esse ponto admira-se de não poder palpá-lo." (6)          

 

Testemunho da Ciência

 

A morte não existe. A vida continua após a falência irreversível dos órgãos. Se não houvesse vida fora do túmulo, não teria sentido a vida antes da morte. O espírito preexiste ao corpo de carne e sobrevive além da sepultura, o que já foi reafirmado por muitos cientistas, como o Dr. Joseph Banks Rhine, da Universidade de Duke, nos EUA. Ele denominou os fenômenos produzidos pelas mentes desencarnadas como “Psi-théta” (psi do termo psikê-alma e théta de thanatus-morto) e clamou o que é provado nos arraiais do Espiritismo prático: “A mente não é física e por meios não físicos age sobre a matéria. O cérebro é simplesmente o instrumento de manifestação da mente no plano físico”. Ante a seguinte questão: “Existe algo extrafísico ou espiritual na personalidade humana?", Rhine diz que “a resposta experimental é afirmativa”. Concluindo, enfatiza que “há provas atualmente da existência de tal fator no homem”. (7)                    

O célebre escritor francês Victor Hugo enunciou que "evitar o fenômeno espírita, deixar de prestar-lhe a atenção a que ele tem direito, é faltar com o que se deve à verdade".

Na atualidade, as pesquisas com desdobramento da alma nos processos de “quase-morte” estão reafirmando a presença do espírito imortal. O Dr. Eben Alexander, professor em Harvard, depois de passar pelo fenômeno, asseverou: “Minha experiência de quase-morte mostrou que a morte não é o fim da consciência e que a existência humana continua no além-túmulo”. Portanto, os cientistas estão se cientificando da presença do espírito, através das pesquisas envolvendo a relação entre mente, cérebro e consciência, inclusive, sendo noticiado que neurocientistas encontraram fortes evidências da vida após a morte e as apresentaram nas Nações Unidas.

O Dr. Gary Schwartz, Professor Emérito de Psiquiatria e Ciência Neurocomportamental da Universidade da Virgínia, atualmente, é o mais atuante pesquisador dos estudos de quase-morte (EQM), onde são relacionados e documentados casos de pessoas clinicamente mortas (sem atividade cerebral), que tinham consciência do que se passava com elas durante a urgência médica.

Relatam os pacientes que, após a ressuscitação, presenciaram tudo que tinha acontecido no momento do atendimento, demonstrando que a consciência não é fruto do cérebro, provando que a psique não está subjugada a viver nos limites do tempo e do espaço. Em verdade, o ser espiritual abandona provisoriamente o corpo físico e, além de observar tudo que acontece na sala de emergência, encontra seus seres queridos já desencarnados e mantêm com eles vida de relação, comprovando que os mortos vivem e têm consciência de suas individualidades.

A saudosa Dra. Elisabeth Kübler-Ross, Cátedra de Psiquiatria em Denver, Colorado, EUA, depois de mais de vinte anos de investigação, chegou a conclusão, “de que a morte não é o fim da vida, mas uma transição para outra vida. Depois da morte a vida segue, mas de outra maneira distinta”. Disse mais ainda: “Quando ao corpo falta vitalidade, a alma o abandona. Sai do corpo, mas continua viva: continua crescendo, continua trabalhando, continua relacionando-se com as demais. Depois de mortos fisicamente, conservamos uma personalidade muito similar à que tínhamos quando vivos”. Então, perguntaram-lhe:  — Significa isto, em sua opinião, que nossa alma é imortal?  — Sim, a alma é imortal. Nada nem ninguém a pode aniquilar.  — Você está convencida de que o Mais Além existe de verdade? — Sim, absolutamente (Entrevista à Revista espanhola Muy Especial).

Realmente, está chegando e cada vez mais perto o momento do enlace definitivo da ciência com a espiritualidade. O mestre Jesus, “o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo” (8), é marcante exemplo da certeza da vida após a vida. Após seu decesso no Calvário, retorna do além e mantem contato com seus discípulos, atestando a imortalidade do espírito, comprovando e revelando a morte da morte, continuando a viver.

Clamou o espírito Emmanuel: “Jesus, o nosso Divino Mestre e Herói do Túmulo Vazio, nasceu em noite escura, viveu entre os infortúnios da Terra e expirou na cruz, em tarde pardacenta, sobre o monte empedrado, mas ressuscitou aos cânticos da manhã, no fulgor de um jardim. ” (9)    

 

Bibliografia

  1. “Religião dos Espíritos”, “Ante os que partiram”, ditada pelo espírito Emmanuel, psicografada por Francisco Cândido Xavier, edição FEB;
  2. “Religião dos Espíritos”, ditada pelo espírito Emmanuel, psicografada por Francisco Cândido Xavier, edição FEB;
  3. “O Livro dos Espíritos”, questão 155;
  4. “O Livro dos Espíritos”, questão 164;
  5. “O Livro dos Espíritos”, questão 165;
  6. “O Livro dos Espíritos”, questão 165;
  7. “O Alcance do Espírito”, Joseph Banks Rhine;
  8. “O Livro dos Espíritos”, questão 625;
  9. “Religião dos Espíritos”, ditada pelo espírito Emmanuel, psicografada por Francisco Cândido Xavier, edição FEB.
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