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Artigo do Jornal: Jornal Setembro 2018

Sobre o autor

Pedro Valiati

Pedro Valiati

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Fui convocado a este mundo desde a chegada e formação dos primeiros espíritos de diversos orbes, sofredores uns, revoltados outros. Todos, porém, recebidos pelo coração único do governador deste planeta. Recebeu-os envolvendo-os em Sua misericórdia infinita, e prometendo, a seu turno, estar Ele mesmo dentre aqueles egressos, a ensinar, em um corpo de carne, o caminho, a verdade e a vida.

Fui testemunha da chegada deste mesmo Mestre e me juntei aos espíritos superiores na rogativa para que o Pai Maior abençoasse Lhe a chegada física. Então, pela rejeição dos homens, encontrou o Cordeiro de Deus o aconchego das estalagens da manjedoura, na companhia segura dos animais. Iniciava-se assim, literalmente, um novo tempo para essa humanidade, e meu coração encheu-se de esperança, como jamais senti.

Acompanhei os milagres, os atendimentos e ensinamentos a tantos. Enxerguei-Lhe as lágrimas, beijei Sua face esbofeteada e acolhi nas já aguardadas decepções.

Angustiado, estive-Lhe ao lado nos sacrifícios do Gólgota e percebi-Lhe o retorno glorioso ao reino dos céus, não para o descanso, mas para o início de uma nova fase no trabalho.

Cantei com o Menestrel do Cristo, chorei com o desmando humano, levando a desdita de tantos.

Testemunhei as distorções do evangelho, a atender interesses humanos.

Tentei com todas as minhas energias minimizar os impactos hediondos e criminosos das cruzadas, visando o metal, sob o estandarte da cruz.

Atendi nas grandes guerras, convocando os soldados do amor para que amparassem todos os sofredores e, em especial, nas ruínas das misérias físicas e humanas, após o holocausto e a desgraça abater milhares.

Ouvi meu nome e enchi meu coração de alegria, a chegada do mestre de Lion. Fixei residência neste país, nessa pátria abençoada e renovadora de espíritos em profundo desequilíbrio e insensatez, para eles veio o nosso Mestre, e portanto, a esses dedico os meus dias.

Sou o Anjo da Caridade, servo dos sofredores, pobres e humildes de coração.

Contudo, sou um anjo sem braços, e necessito das suas mãos para levar esperança aos esfaimados, aconchego aos que sentem frio. Necessito das vossas mãos para acolher, cuidar, abraçar os filhos de Deus. Tenho encontrado, é bem verdade, grandes amigos de trabalho, irmãos abnegados, os quais apiedam-se do próximo, e servem-se fielmente aos propósitos da caridade, aos propósitos do criador.

Acolham os pensamentos da caridade, pois leva ao atalho da felicidade que ainda não conheceis.

Da mesma forma, também não tenho pernas, e preciso das vossas para ir até os sofredores levar amparo e carregar necessidades de tantos irmãos que, muitas vezes, atravessam o dia em um catre de dor sem nenhum alimento a saciar-lhes a fome ou a promover-lhes a saúde física. As dores, somada a miséria material, provocam o desespero em tantos, atacando a esperança, resultando na maior das dores, a ausência de fé.

Que vossas pernas, unidas a boa vontade e capacidade de mobilização, levem para fora desses muros a palavra e os mantimentos a tantos que a aguardam a vos. Com vossas ações plenificam almas, conforme mencionado, já entregues a dor e desesperança. Sejais gratos pelos ensinamentos e ouçam o meu chamamento, levem o amor aos necessitados, abracem ao próximo, este corpo de carne tem necessidades que muitos de vós, simplesmente, desconhecem.

Não possuo boca, portanto, falem a todos os ouvidos, espalhem a Boa Nova a tantos, não estão os homens ávidos somente do alimento. O corpo estorcega pela fome, a alma estorcega pelo desespero.

Levai a mensagem do amor, preguem o perdão, exemplifiquem a tolerância, juntem-se aos pacíficos, promovam a palavra amiga, estabeleçam o reino de Deus em vós e façam ouvir a mensagem divina aonde houver a necessidade.

Também não tenho olhos, então é necessário que estejam atentos, não permitam que vossos olhos vejam a necessidade, que pode ser acolhida, passar despercebida. Olhem para os invisíveis, observem os irmãos que se encontram nos atendimentos, seja qual for a via, em suas faces se disfarçam dores profundas e as piores intenções, saibam olhar a dor humana, sem saber, muitas vezes, que ela exista. Então, assumam, que nos nossos irmãos existe a dor, e já preparem-se da melhor forma para um eventual atendimento. Olhem pelos que sofrem, sem, muitas vezes, perceber-lhes a dor.

Olhem pelos que aqui não podem chegar, seja pelo desequilíbrio do corpo, seja do espírito. A estes que se enchem de esperança e inspiração com essas palavras, prossigam, o nosso Mestre vos conduzirá nas sendas da dor alheia, mesma da felicidade.

Contudo, tenho ouvido, e escuto a cada súplica, cada rogativa dos necessitados, soprando o pensamento de caridade a todos, rogando e encomendando ao Pai que sejais a via da esperança destes sofredores.

Não tenham olhos ao passado dos que são atendidos, atendam; não se ocupem com o histórico, socorram; não julguem os vícios, acolham;

Continuo a testemunhar a história dessa humanidade, deste orbe, até aqui, de expiação.

Por vezes, quando meu coração era envolto de dor pelas dificuldades tantas, me permitia o Mestre, como terapêutica abençoada, conhecer o futuro deste planeta, me fazendo sorrir e voltar a esperança e ao trabalho.

Bendito seja o Senhor, que nos reserva, dentre o planejamento divino, a destinação feliz, através do trabalho indissoluto e onipresente da caridade.

Paz a todos.

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