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Artigo do Jornal: Jornal Agosto 2017

Sobre o autor

Pedro Valiati

Pedro Valiati

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O artigo deste mês é um convite à leitura e reflexão. Lançando-se o raciocínio estritamente crítico e material, será fácil concluir a falha fragorosa da proposta do Cristo sobre a Terra do Cruzeiro do Sul. Recordemos os trechos do livro Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, de Humberto de Campos, psicografia de Chico Xavier, no capítulo “Coração do Mundo”. A passagem ocorre no último quarto do século XIV, onde o Cristo, sobre o futuro solo Brasileiro, exclama:

“Aqui, Helil, sob a luz misericordiosa das estrelas da cruz, ficará localizado o coração do mundo”!

Ao olhar vulgo, abatido pela grave recessão a qual assola o povo brasileiro e ratificado pelas recentes revelações do envolvimento das lideranças políticas e empresariais em negociatas espúrias de longa data, conclui-se que, em algum momento, por alguma circunstância não prevista pela espiritualidade, tal afirmação do Cristo sofreu o chofre da ruptura fatal.

Recordemos também momentos históricos graves, para a compreensão do “modus operandi” da espiritualidade, através do livro A Caminho da Luz, de Emmanuel e psicografia de Chico Xavier, no capítulo “A destruição do Império”, o qual fala da queda de Roma, chafurdada em vaidades e desmandos.

Ainda, para mais dilatado entendimento, o capítulo “Contra os excessos da revolução”, sobre a ação do plano espiritual a dissipar a psicosfera de ódio e revolta, permitindo, assim, a reconstrução da paz em solo francês, e, um último exemplo, agora no capítulo “A extinção do cativeiro”:

Se existe algo que aprendemos com a Doutrina Espírita, em sua diversa literatura, é que, em

todos os acontecimentos do universo, Deus é o último a falar.

Uma vez tomada a decisão divina, por mais grave a situação, há de ser cumprida.

Em resumo: Quando o Cristo decide por termo determinada situação no orbe, é por que acabou. Açodam-se os anjos para dar o cumprimento.

As revelações políticas últimas, tenebrosas e hediondas, apenas revelam o mal no qual estávamos chafurdados desde muito e o qual surge à tona na clareza da água límpida. Reflitamos, mediante tamanha exposição, quantos ainda se atreverão a repetir os atos, sabendo da repercussão e possíveis condenações?

Mediante tantos poderosos trancafiados pelos crimes cometidos e tantos outros ameaçados, quantos se arriscarão a mesma balsa irresponsável? E por fim, graças a ampla divulgação e meios de comunicação de massa, redes sociais, qual não será o índice de renovação das lideranças políticas?

Ao invés de perdermos a fé nas esferas angelicais a atuar nas Terras da Santa Cruz, devemos entender a ação da mão divina a tornar pública a doença instalada desde muito e a qual consome a seiva do trabalho de um povo, em situação menos grave, contudo, semelhantes aos casos de Roma, França e escravatura, citados acima.

Aproveitemos para entender acerca dos “Flagelos destruidores”, tais como o desemprego e crises financeiras, através d’O Livro dos Espíritos:

737. Com que fim fere Deus a Humanidade por meio de flagelos destruidores? “Para fazê-la progredir mais depressa... Somente do vosso ponto de vista pessoal os apreciais; daí vem que os qualificais de flagelos, por efeito do prejuízo que vos causam. Essas subversões, porém, são frequentemente necessárias para que mais pronto se dê o advento de uma melhor ordem de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos”. 

As crises funcionam como um filtro moral divino a nos proporcionar o desafio da melhora íntima, através do exercício da inteligência e paciência, contudo, sem sermos passivos.

Fraternidade, eis o selo do Cristo para o Brasil.

Não temos motivos para duvidar dos caminhos traçados pelo Cristo, o qual já nos deu provas muitas de Sua companhia estreita em momentos graves de nossa história, atravessamos apenas mais um penoso deserto, rumo ao quinhão de Pátria do Evangelho.

• Na proclamação da independência, não verteu-se uma gota de sangue.

• A abolição da escravatura veio através de simples missiva, através de delicadas mãos femininas, em um tempo de absolutismo patriarcal.

• A transição para a segunda república, se deu através de uma passagem, sem guerra civil ou revoltas.

Que o mundo compreenda que, apesar dos flagelos, na Terra da Santa Cruz praticam-se os dogmas da caridade e do amor ao próximo.

Que as nações enverguem os próprios olhares sobre o povo de um país que, apesar das constantes crises financeiras e morais, além das graves deficiências estruturais, segue na pugna diária, acreditando na felicidade.

Que nós mesmos, não percamos a fé, justamente nos momentos finais da travessia, onde o mal se mostra e estrebucha, promovendo a renovação no bem.

Que Deus nos abençoe no prosseguimento da jornada bendita, com coragem e fraternidade, não nos deixando colher a violência ou intolerância na seiva do coração do mundo, da Pátria do Evangelho.

Que assim seja.

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