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Artigo do Jornal: Jornal Novembro 2017
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Quando passamos a olhar o mundo que nos cerca e a conjuntura socioeconômica e cultural vigente sob a ótica da Doutrina Espírita, toda calcada no sentido ético-moral, apresentando os temas, questões e problemas da nossa vida, tanto material quanto espiritual, com transparência e clareza, sem ambiguidades, porém de forma fraterna, conduzindo-nos passo a passo à conscientização, constatamos a sua atualidade e a sua aplicabilidade à nossa vida cotidiana.

Na resposta à questão 917 de O Livro dos Espíritos, sobre qual o meio de se destruir o egoísmo, ainda uma das nossas grandes dificuldades, os Espíritos explicam sem rodeios: De todas as imperfeições humanas, a mais difícil de se desenraizar é o egoísmo, porque se liga à influência da matéria, da qual o homem, ainda muito próximo de sua origem, não pode libertar-se. Tudo concorre para entreter essa influência: suas leis, sua organização social, sua educação. O egoísmo se enfraquecerá com a predominância da vida moral sobre a vida material...

É impressionante como a resposta acima parece escrita hoje, perfeitamente integrada na atual situação da humanidade: nossas leis são aplicadas em conformidade com os títulos e o volume da conta bancária do infrator; nossa organização social prestigia justamente aqueles que se destacam, não por suas qualidades morais, sua humildade, sua abnegação, mas os que, seja pela força ou pela astúcia, acumulam riquezas e poder temporal; nossa educação baseia-se no aprendizado de conceitos do tipo “levar vantagem”, “os fins justificam os meios”, “não se deve levar desaforo pra casa”, “acima de tudo prevaleçam os meus direitos”, “eu sou a criatura mais importante para mim e preciso ser feliz a qualquer custo”.

Entretanto, essa mesma resposta nos indica a solução para toda essa problemática: a predominância da vida moral sobre a material, ou seja, da consciência liberta dos desculpismos com que a embotamos, liberta dos atavismos com que a sufocamos, liberta das peias do medo e da ignorância.

Permitir a vigência da moral sobre os nossos pensamentos e, consequentemente, nossos atos, é o objetivo principal dos ensinamentos que vêm sendo difundidos à humanidade há milênios, antes de Jesus, bem antes de Allan Kardec. Sócrates já dizia: só é útil o conhecimento que nos faz melhores; Pitágoras afirmava que os bons costumes são preferíveis aos bons conhecimentos, e Sêneca, que importa saber o que é uma linha reta se não se sabe o que é a retidão?

E para isso existe um só caminho, o da educação e, conforme explicitado por Kardec em seus comentários à resposta da questão citada, não essa educação que tende a fazer homens instruídos, mas a que tende a fazer homens de bem. A educação, convenientemente entendida, constitui a chave do progresso.

E essa educação requer empenho, perseverança e boa vontade; começa em nós mesmos, de dentro para fora, com contribuição externa ou mesmo aparentemente sem ela. Na busca do esclarecimento vamos descobrindo o verdadeiro significado da vida material; o que ela pode nos oferecer de importante constitui-se exatamente no que ela pode nos proporcionar como crescimento íntimo, fortalecendo muitas vezes com as dificuldades que nos proporciona, e até mesmo com os excessos de facilidades, a nossa vontade e as boas qualidades já adquiridas, ensejando oportunidades para novas conquistas.

À medida que vamos tomando posse de nossas faculdades e descobrindo nossas potencialidades, vamos igualmente nos conscientizando da necessidade premente de educação moral, pois passamos a compreender que não seremos felizes, quer encarnados ou desencarnados, enquanto as desigualdades sociais geradas pelo nosso egoísmo, nosso orgulho e nossa ganância, não forem devidamente resolvidas. Em Obras Póstumas, no Credo Espírita, Kardec é enfático: A questão social não tem, pois, por ponto de partida, a forma de tal ou qual instituição; ela está toda no melhoramento dos indivíduos e das massas. Aí é que se acha o princípio, a verdadeira chave da felicidade do gênero humano, porque então os homens não mais cogitarão de se prejudicarem reciprocamente. Não basta se cubra de verniz a corrupção, é indispensável extirpá-la.

É difícil dizer mais, dizer melhor. Resta-nos meditar sobre essas recomendações; cabe-nos trabalhar a nossa educação e a de quantos nos for possível nesse sentido; cumpre-nos aceitar a relevância da nossa responsabilidade dentro da coletividade para, finalmente, caminharmos com mais segurança.

Bibliografia:

  1. O Livro dos Espíritos – questão 917

  2. Obras Póstumas – Credo Espírita

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