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Artigo do Jornal: Jornal Novembro 2017
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A mídia diariamente noticia inúmeros casos trágicos, envolvendo até crianças, ocorrendo em todo o mundo. Diante de tais acontecimentos, vivenciam muitas pessoas o desalento e a perplexidade, até mesmo questionando onde se encontra Deus nesses momentos de dúvida e de desesperança.

A Doutrina Espírita enfatiza que Deus não nos julga e nem nos castiga. Em realidade, não existe o acaso. As tragédias, levando às desencarnações coletivas, não são casuais. Na questão 258, de "OLE", A.K. pergunta se, antes de reencarnar, o espírito tem consciência ou previsão do que lhe sucederá no curso da vida terrena. A resposta: "Ele próprio escolhe o gênero de provas por que há de passar e nisto consiste o seu livre-arbítrio".

A desencarnação, o momento certo do falecimento, é realmente predeterminado, assim como está documentado em "OLE", Q. 853, dizendo que o instante da morte é fatal, no verdadeiro sentido da palavra e chegado esse momento, de uma forma ou de outra, a ele não podemos furtar.

A questão 853(a) frisa que, quando é chegado o momento do nosso retorno para a Dimensão Espiritual, nada nos livrará e também relata que já sabemos o gênero de morte pelo qual partiremos daqui, pois isso nos foi revelado quando fizemos a escolha desta ou daquela existência.

Importante, igualmente, o comentário de A.K., na Q. 738, dizendo que "venha por um flagelo a morte, ou por uma causa comum, ninguém deixa por isso de morrer, desde que haja soado a hora da partida". Na Q. 859, os espíritos dizem ao codificador que a fatalidade, verdadeiramente, só existe quanto ao momento em que devemos aparecer e desaparecer deste mundo. Na Q. 872, Kardec enfatiza: "no que concerne à morte é que o homem se acha submetido, em absoluto, à inexorável lei da fatalidade, por isso que não pode escapar à sentença que lhe marca o termo da existência, nem ao gênero de morte que haja de cortar a esta o fio".

Para alguns seres que, em conjunto, em alguma outra experiência terrena, descumpriram as leis de Deus, inseridas na própria consciência e sofrem em demasia na dimensão espiritual, surge a bendita e sublime oportunidade de sanarem os débitos contraídos e poderem se reajustar diante do tribunal instalado dentro de si mesmos. Enfatizou o Cristo: "Em verdade te digo que não sairás da prisão enquanto não pagares o último centavo" (Mateus 5:26).

 

BOX-1                                              Expiação Coletiva

A ação do resgate pode acontecer, correlacionando-a com o tipo de infração. Se o mal foi praticado coletivamente, isto é, em conluio lastimável junto a um grupo de verdugos ("Ai daqueles por quem vêm o escândalo" - Mateus 18:7), a liquidação dos débitos acontecerá com a presença de todos os protagonistas envolvidos, processo conhecido, no Espiritismo, como expiação coletiva.

As desgraças sociais envolvendo muitas vítimas são relacionadas a fatores casuais pelos materialistas e espiritualistas menos avisados, o que caracteriza uma hipótese por demais simplória, não merecendo consideração, desde que a própria harmonia e ordem do universo, como igualmente a grandeza matemática e estrutural das galáxias, apontam para uma causa inteligente. Aliás a frase lapidar de Teófilo Gautier é sempre lembrada: "O acaso é talvez o pseudônimo de Deus quando Ele não quer assinar o seu próprio nome."

Antes da experiência expiatória experimentavam os espíritos a culpa e o remorso cruéis, sentindo-se como algozes, necessitando de refazimento. “Sucede que os seres humanos, que devem dar essa reparação, se reúnem num ponto pela força do destino, para sofrerem, numa morte trágica, as consequências de atos que têm relação com o passado anterior ao nascimento. Daí as mortes coletivas, as catástrofes que lançam no mundo um aviso. Aqueles que assim partem, acabaram o tempo que tinham de viver e vão preparar-se para existências melhores” (Leon Denis, em “O Problema do Ser do Destino e da Dor”, primeira parte, item X).

Depois do resgate oportuno, retornam, no veículo da imortalidade, à dimensão espiritual, como vítimas, não mais sofrendo a presença dos que os odiavam, desejando vingança.

Importante que, os familiares e amigos dos que passam pelo resgate coletivo, aproveitem alguns dos conselhos de Paulo, em 2º Coríntios 4:8-9, recomendando que sendo pressionados, não desanimem; estando perplexos, não se desesperem e ainda abatidos, não se achem destruídos.

 

BOX-2       O que diz o Espiritismo sobre a Expiação Coletiva?

O estudo profundo da Doutrina Espírita nos leva ao entendimento dos fatores causais das calamidades, opondo-se aos que põem a causa de lado, por falta de explicações suficientes e convincentes. Em "Obras Póstumas", no cap. intitulado "Questões e Problemas", há uma abordagem especial de Kardec e dos espíritos a respeito das expiações coletivas, comprovando a entidade Clelie Duplantier que faltas coletivas devem ser expiadas coletivamente pelos que, juntos, a praticaram. Disse que todas as faltas, quer do indivíduo, quer de famílias e nações, seja qual for o caráter, são expiadas em cumprimento da mesma lei.

Assim como existe a expiação individual, o mesmo sucede quando se trata de crimes cometidos solidariamente por mais de uma pessoa. A propósito, o Codificador, em A Gênese", no capítulo 18, item 9, chama-nos à atenção de que a humanidade é um ser coletivo no qual acontecem as mesmas revoluções morais que em cada ser individual.

Duplantier afirma também que, graças à Doutrina Espírita, a justiça das provações é agora compreendida e não decorre dos atos da vida presente, porque corresponde ao resgate das dívidas do passado. Depois afirma que haveria de ser assim com relação às provas coletivas, que são expiadas coletivamente pelos indivíduos que para elas concorreram, os quais se reencontram para sofrerem juntos a pena de Talião.

O relato de presença de crianças como pacientes de tragédias angustia as pessoas que não entendem essas mortes prematuras, muitas até demonstrando sentimento de revolta, desde que tampam seus olhos, não deixando penetrar os clarões luminosos do “nascer de novo”, desconhecendo a justiça divina estampada na doutrina da reencarnação.

Mais uma vez, Léon Denis, brilhante como sempre, concilia esses fatos à harmonia universal, ensinando: “As existências interrompidas prematuramente por causa de acidentes chegaram ao seu termo previsto. São em geral, complementares de existências anteriores, truncadas por causa de abusos ou excessos. Quando, em consequências de hábitos desregrados, se gastaram os recursos vitais antes da hora marcada pela natureza, tem-se de voltar a perfazer, numa existência mais curta, o lapso de tempo que a existência precedente devia ter normalmente preenchido” (“O Problema do Ser do Destino e da Dor”, primeira parte, item X).

Portanto, o acaso não tem participação nas determinações divinas. O Pai nos ama incondicionalmente e nos proporciona a oportunidade da redenção espiritual, dando-nos a chance bendita de resgatarmos as infrações do passado contrárias às Suas Leis, de várias formas, inclusive coletivamente. As expiações coletivas, segundo "O Livro dos Espíritos", questão 737, oferecem o ensejo de progredirmos mais depressa no rumo evolutivo, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos.

“A lei humana atinge certas faltas e as pune. Pode, então, o condenado reconhecer que sofre a consequência do que fez. Mas a lei não atinge, nem pode atingir todas as faltas; prejudicam os que as cometem. Deus, porém, quer que todas as suas criaturas progridam e, portanto, não deixa impune qualquer desvio do caminho reto. Não há falta alguma, por mais leve que seja, nenhuma infração da sua lei, que não acarrete forçosas e inevitáveis consequências, mais ou menos deploráveis” (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no cap. V, Allan Kardec).

Em verdade, o ser anseia por sua libertação. Como diz a Bíblia, Deus “pôs no coração do homem o anseio pela eternidade” (Eclesiastes 3:11). Intuitivamente ele sabe que é imortal e que um futuro de paz e harmonia interior lhe esperam no final dos embates terrenos. Então, “Deus lhes enxugará dos olhos toda a lágrima; não haverá mais morte, nem pranto, nem lamento, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas (Apocalipse 21:40).   

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