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Artigo do Jornal: Jornal Abril 2017
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“Com este livro, a 18 de abril de 1857, raiou para o mundo a era espírita (...) O Livro dos Espíritos é o código de uma nova fase da evolução humana. É exatamente essa a sua posição na história do pensamento. Este não é um livro comum, que se pode ler de um dia para o outro e depois esquecer num canto da estante. Nosso dever é estudá-lo e meditá-lo, lendo-o e relendo-o constantemente.” Introdução de José Herculano Pires na edição comemorativa dos cem anos do lançamento de O Livro dos Espíritos

Herculano Pires, como é conhecido, escritor e filósofo espírita de renome no meio e no movimento espírita, com dezenas de livros publicados e vasta atuação no cenário espiritista e laico, não poderia ter definido melhor a importância desse livro basilar que, para todo adepto sério e sinceramente interessado na doutrina, não pode jamais ser relegado a segundo plano.

Herculano ainda nos diz: “Sobre este livro se ergue todo um edifício: o da doutrina espírita. Ele é a pedra fundamental do Espiritismo, o seu marco inicial. O Espiritismo surgiu com ele e com ele se propagou, com ele se impôs e consolidou no mundo”.

E é verdade nele, toda a doutrina de forma condensada e concisa, sem que, no entanto, se perca a clareza e haja qualquer prejuízo para o bom entendimento dos temas e princípios doutrinários; todos os demais livros que compõem a codificação ali estão contidos: O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e Inferno e A Gênese. Basta uma análise um pouco mais criteriosa e facilmente os detectamos no contexto de determinadas partes e questões.

É muito comum vermos companheiros de ideal de boa-vontade se dedicarem à leitura e ao estudo, com entusiasmo e assiduidade, por exemplo, dos livros de André Luiz, os quais, ressaltamos, trazem muitos esclarecimentos compatíveis com os princípios espiritistas mas é preciso conhecer-se o corpo doutrinário para poder distinguir essa qualidade... aliás, basicamente, o que se vê é o estudo do Nosso Lar repetido seguidamente em várias casas espíritas...

O que se vê, ainda, em muitas ocasiões, é uma atração quase irresistível por títulos novos, por romances e livros até algo sensacionalistas ou de autoajuda, alguns trazendo implicitamente promessas de transformação interior fácil mediante certas posturas externas... hoje, o mercado transborda de todo tipo de livros ditos espíritas...

O que se percebe lamentavelmente é um interesse muito mais evidente com relação a diversos outros livros “bonitos e emotivos” em detrimento dos livros kardecianos, que são os que sustentam efetivamente nosso aprendizado quanto às leis da vida. Certamente que, uma vez conhecedores dos livros chave da codificação, os acima enumerados, podemos, e até devemos estender a nossa cultura espírita, buscando esclarecimentos em outros tantos livros sérios, notadamente entre os clássicos da nossa literatura doutrinária.

O que não podemos, e até não devemos, é sair “correndo atrás” de todo e qualquer livro que surja no mercado, com belo título, bela capa, alguns com nomes difundidos, outros não, a maioria repetitivos, sem nada acrescentar ao nosso entendimento da vida então quando se trata de autor desencarnado, seja quem for, é quase uma febre coletiva... Os encarnados, ainda que reconhecidamente esclarecidos doutrinariamente e esforçados no que se refere à sua postura fraterna e edificante, ficam esquecidos nas prateleiras de livrarias e bibliotecas quantas são as casas espíritas onde se encontram com facilidade livros de Deolindo Amorim, do citado Herculano Pires, de Hermínio Miranda, de Carlos Imbassahy, de Ernani Guimarães e outros... Alguns desses mencionados hoje já estão desencarnados, mas deixaram obras valiosíssimas enquanto aqui caminhavam conosco...

Mas, tudo isso só pode ser devidamente avaliado a partir de UM livro, quando estudado, refletido e compreendido em profundidade e com respeito, para não dizer veneração, pois é a viga mestra, a pedra angular da cultura espírita esse um é O LIVRO DOS ESPÍRITOS!

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