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Artigo do Jornal: Jornal Dezembro 2017

Sobre o autor

Djalma Santos

Djalma Santos

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       A força instintiva do homem representa o princípio embrionário da formação da mente humana, que Deus doou aos seres vivos para funcionar automaticamente, como uma espécie de autodefesa que dificilmente falha, enquanto o ser não se apossa em regime de equilíbrio do pensamento contínuo e do livre-arbítrio.

       A força instintiva começa a se desenvolver nos minerais, passando pelos vegetais, animais, até chegar ao homem, que a utiliza no processo de escolhas, mesmo quando já está de posse do livre-arbítrio, que é a liberdade de escolher e não a capacidade. Quando em dificuldades, o homem apela pelo instinto, que é também uma voz interna segura, um determinismo divino de proteção contra os perigos que corremos em muitas fases da vida.

       Nos minerais, a força instintiva impulsiona determinados cristais que, depois de longo tempo, tomam formas geométricas e, numa escala acima, passam sua energia para os vegetais que, de uma forma rudimentar, apresentam indícios de consciência, em especial, nas plantas de famílias superiores, como os vegetais carnívoros, que conseguem triturar e absorver suas vítimas.

       Nos animas, a força instintiva ganha um impulso impressionante, que vai desde as demonstrações pequenas de inteligência bastante apurada, até os rudimentos de uma vontade bastante avançada, em que alguns animais como o golfinho, o cavalo, cães e gatos, demonstram alto grau de sensibilidade.

       Nos animais superiores também ocorrem manifestações psíquicas, porque a glândula pineal, que é o órgão que dá origem à mediunidade, já está bastante desenvolvida, e eles podem sentir a presença de entidades espirituais desencarnadas, e até mesmo visualizá-las, principalmente em locais onde os espíritos estão vinculados, como cruzes à beira de estrada, onde foram assassinados.

       A utilidade da força instintiva é inquestionável e de grande serventia ao homem terreno. Até mesmo as pessoas que já atingiram um grau elevado de inteligência e moralidade não devem dispensar a força instintiva, porque é um determinismo divino de proteção ao homem de amparar e de indicar o melhor caminho que devemos seguir.

       Essa força divina pode também ser utilizada para o mal, principalmente quando a pessoa que a detém perde o seu controle, passando a agir de uma forma puramente instintiva, seguindo os impulsos da animalidade que ainda permanece em si, sem freios e sem consultar a própria consciência que, em síntese, é que deve dar a última palavra em qualquer assunto de interesse pessoal. 

       Com o passar do tempo, a força instintiva evolui através das atividades humanas, no campo da carne e do espírito, chegando à razão e ao juízo, que são as etapas finais do nosso crescimento espiritual, quando, então, o instinto é abandonado, mas arquivado nos refolhos do nosso inconsciente, podendo vir à tona a qualquer momento se for necessário, para auxiliar o entendimento das coisas da vida.

       Como o homem ainda é uma criatura em desenvolvimento, todo o cuidado é pouco, tanto em relação à força instintiva, quanto ao que se refere ao livre-arbítrio, e ambos devem ser fiscalizados diuturnamente, a fim de que não sejam utilizados de forma aleatória, sem controle e voltados para o mal. Em determinadas pessoas, a força instintiva predomina com mais rigor, e por isso muitas pessoas diferem uma das outras, apresentando, às vezes, hábitos animalescos diferentes dos seres humanos.

       As funções executadas pelas células do corpo físico obedecem, de certo modo, à força natural do instinto, sempre na mesma rotina, sem nenhuma criatividade, como acontece com as plantas e os animais, que seguem religiosamente essa força, sem, no entanto, usar criatividade, pois não possuem nem o pensamento contínuo e nem o livre-arbítrio. O hábito mental que exercitamos nos dias de hoje tem sua origem no instinto de conservação, como é mais conhecido, e se assemelha a um depósito de coisas recebidas, de várias procedências, algumas hereditárias e outras que se desenvolveram nela própria, e cujas sementes foram semeadas no tempo primitivo da vida remota.

       A força do instinto se manifesta em diversos graus de consciência, variando desde a subconsciência até a consciência simples, dos mais elevados animais a formas inferiores do homem, como os nossos primitivos que habitavam as florestas e grutas, e que no início da evolução só pensavam na alimentação e na forma de se protegerem dos fenômenos da natureza e dos animais selvagens, sem nenhuma visão do futuro.

       É ainda a força instintiva que dá lugar aos apetites, paixões, desejos, sensações, sentimentos e emoções de ordem inferior manifestado pelo homem, bem como nos animais que, de certo modo, ensina o homem e aprendem com eles, num compartilhamento que necessita ser saudável, porque os animais também são filhos de Deus, e certamente têm uma destinação histórica e gloriosa para a espiritualidade superior.

       A força instintiva é a voz de Deus dentro de cada um de nós, avisando-nos que não estamos desamparados, mas que precisamos, com o tempo, encontrar os nossos próprios recursos, sem, no entanto, abandonar essa voz interna maravilhosa que, nos nossos primeiros passos nos mundos das formas, nos guiou com segurança e equilíbrio para o ponto em que nos encontramos, com a graça e a misericórdia de Deus. 

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