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Artigo do Jornal: Jornal Dezembro 2017
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O crime cometido em um recém-nascido, tanto com o emprego de meios ativos ou deixando a vítima sem os cuidados necessários à manutenção da vida, é passível de dura correção pela justiça divina.

O que diferencia o feto do nascituro? O primeiro, até mesmo nas primeiras sublimes fases de desenvolvimento, no cadinho materno, como mórula e blástula, é um novo ser humano que se encontra em própria e plena formação e se prepara para no momento certo vir ao mundo. O segundo já cresceu e acabou de nascer. Portanto, o indivíduo dentro do ventre é um indivíduo que apareceu para a vida. Ambos são criaturas vivas, necessitando da mesma atenção e respeito, não essencialmente dos espiritualistas, mas, igualmente, de toda a sociedade.

Realmente, exterminar o ser em formação no cadinho materno representa moralmente a mesma execrável atitude do assassinato da pessoa já nascida. Infelizmente, o atraso espiritual do habitante terreno é marcante e não lhe permite perceber que o feto representa um novel organismo, uma vida iniciada na fecundação e que determina seu próprio desenvolvimento, sendo um ser humano idêntico ao que já vive fora do útero, sob os cuidados diretos de sua abençoada mãezinha, com apenas a singular diferença que está passando no ventre materno por sublimes fases de formação e consequente crescimento e breve respirará, ao ressurgir para o mundo, através de seus próprios pulmões, não necessitando mais do oxigênio que chega pelo sangue de sua genitora, através da placenta e do cordão umbilical.

Em realidade, o ser que se encontra albergado no útero tem individualidade própria e seu organismo físico genuinamente não pertence à mãe, porquanto o corpinho que se constitui é propriedade da vida, a qual vige na intimidade do abençoado templo materno. No antigo Império Romano, o desconhecimento da fisiologia humana era considerável e o aborto ainda não era considerado crime pelo fato de haver consideração de o feto fazer parte do corpo da mulher e de suas vísceras.

Em verdade, não há qualquer dúvida sobre os direitos da mulher sobre o seu corpo. Contudo, há exceção em relação à maternidade, pois quem tem regalias, sendo dotado de importantes prerrogativas, é, por excelência, o neném que tem vida intrínseca e jamais se confundirá com o corpo de sua genitora. Inclusive, sua autonomia é tão marcante que mesmo sendo um organismo físico próprio e constituído de tecido estranho não sofre de rejeição pelo sistema imune da mãe, mesmo havendo contato dos antígenos fetais com as células imunitárias maternas.

É verdadeiramente transcendental o processo gestacional, porquanto, na implantação do embrião, os genes responsáveis pelo recrutamento das células do sistema imunológico materno são desativados, inteiramente desligados dentro da decídua (anexo embrionário encontrado nos mamíferos placentários). Assim, os linfócitos T (glóbulos brancos que atuam na defesa do organismo) não se acumulando, não logram atacar o feto e igualmente a placenta. Na maternidade, o próprio mundo natural atesta a independência e a integridade do ser vivo que se encontra no santuário feminino, poupando-o de qualquer rejeição biológica, o que não acontece, por exemplo, nos casos de órgãos transplantados. 

A própria natureza, divina por excelência, protege o bebê, desde sua gênese na intimidade uterina até o aleitamento materno. A amamentação proporciona a interação imunológica entre mãe e filho, fazendo com que a criança seja resguardada contra doenças, desde que há transferência de anticorpos da amorosa e vigilante genitora para seu neném.

O bebê, tanto antes de nascer como depois, é amparado naturalmente, o que deveria servir de alerta para a sociedade proceder da mesma forma em todos os momentos, zelando pela harmonia e grandiosidade da vida em si mesma, abominando a prática do aborto. Ademais, de mãos dadas com a Doutrina Espírita, a ciência anuncia que o ser, no abençoado relicário feminino, já possui o instinto de conservação, conforme foi verificado pelo Dr. Nathanson, através de uma ultrassonografia realizada durante um aborto, na década de 70.

Observando que o feto tentava defender sua vida, procurando fugir loucamente do instrumento assassino e, inclusive, abrindo a boca desmesuradamente, no instante final, fez com que um dos mais operantes aborteiros norte-americanos, aterrorizado com o que presenciara, mudasse de opinião e trabalhasse a seguir com ardor contra a prática criminosa de aniquilamento dos seres em plena vida no útero. É importante frisar que esse profissional da área da medicina, atuando nas especialidades ginecológica e obstétrica, já tinha efetuado mais de 75 mil intervenções abortistas e era diretor do Centro de Saúde Reprodutiva e Sexual de Nova York – então conhecido como o maior centro de abortos no mundo.

Dr. Nathanson também produziu o documentário O Grito Silencioso, onde exibe a monstruosidade que é a interrupção voluntária da gravidez. Os leitores desejosos de constatar “in loco” uma das faces desse horrendo crime, verdadeira carnificina humana, podem acessar o link: https://youtu.be/T-cND3VXy-E. Como seria importante que toda a sociedade, principalmente os que obram pela implantação do aborto, pudesse assistir a esse vídeo.

O que está sendo verificado, no ato abortivo, pelas imagens ultrassonográficas, o Espiritismo vem reafirmar, dizendo que é lei da Natureza o instinto de conservação e, sem dúvida, todos os seres vivos o possuem, qualquer que seja o grau de sua inteligência. Nuns, é puramente maquinal, raciocinado em outros (Q. 702 de O Livro dos Espíritos). A Doutrina Espírita enfatiza que outorgou Deus a todos os seres vivos o instinto de conservação, porque todos têm que concorrer para cumprimento dos desígnios da Providência. Por isso foi que Deus lhes deu a necessidade de viver. Acrescentando, igualmente, que a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres. Eles o sentem instintivamente, sem disso se aperceberem (Q. 703 de O Livro dos Espíritos).

 

BOX 1 - Importantes informações científicas contra o aborto

 

Pesquisas na área da Psicologia revelam com exuberância que o ser, ainda no santuário materno, mantém intenso contato com o meio exterior, colhendo as impressões externas e patenteando reação. Em alguns países, foram fundadas Universidades Pré-Natais, nas quais são utilizadas sofisticadas tecnologias, demonstrando que o feto é um hóspede ativo, que dirige o andamento da gravidez, dotado da capacidade da percepção.

Outros setores científicos também evidenciam que o bebê, na intimidade uterina, não é um ser passivo. Através da técnica da Hipnose Regressiva a Vidas Passadas, lembranças vivenciadas no útero vêm à tona, carregadas de intenso conteúdo emocional.

Ao mesmo tempo, hodiernamente, o feto já é agraciado com atendimento, em plena intimidade uterina, em uma área da ciência muito nova, a Medicina Fetal. Graças a vários recursos modernos, pode-se operar o feto, com o seu organismo já basicamente formado, em pleno cadinho uterino. Um exemplo de atuação da Medicina Fetal é a desobstrução da uretra, intervenção valiosa e oportuna para evitar a insuficiência renal grave e perda do rim afetado. Antigamente, sem o advento da Medicina Fetal só restaria ao ser após o nascimento a oportunidade de ser realizado um transplante renal.

Outro exemplo é a retirada ou transfusão de sangue do feto, em pleno útero, através de uma técnica que permite alcançar o cordão umbilical com uma agulha, guiada pela imagem precisa da ultrassonografia. As cirurgias a céu aberto estão, no momento, indicadas para casos especiais, como, por exemplo, a correção do enfraquecimento no diafragma do feto – hérnia diafragmática –, a qual é um defeito ou buraco no músculo estriado que permite que o conteúdo abdominal chegue à cavidade torácica.

A interrupção voluntária da gravidez é crime impiedoso, amparado pela falta do saber humano, desconhecendo não somente os trabalhos científicos hodiernos, como igualmente a realidade espiritual que nos cerca, já que, mesmo antes da concepção, está presente o princípio individual extrafísico, organizador da forma e artífice da vida.

Há necessidade de premente evolução espiritual para essa humanidade assaz ignorante, precisando de esclarecimento ético-moral, procurando entender que a movimentação em favor da liberação do aborto, sob a alegação de que já existe o clandestino – fruto da deseducação da biologia, da falta de conhecimentos da fisiologia da reprodução –, corresponde na regularização de um crime com o fim de tentar extirpar o outro, sabendo que a intervenção abortiva, mesmo realizada em modernos centros médicos, em boas condições hospitalares, pode acarretar problemas sérios de ordem física e psicológica.

 

BOX 2 - Complicações graves do aborto

 

A hemorragia, intensa, pode até levar ao choque. As infecções podem ser graves e mortais. Há a possibilidade de ocorrer a perfuração uterina, que poderá ocasionar peritonite e óbito. O colo do útero também pode ser lesado durante as práticas abortivas.

As consequências psicológicas de grande intensidade como as crises de medo, dor, culpa, arrependimento, ansiedade, depressão, são apenas alguns dos sentimentos que muitas mulheres que já se submeteram à violenta prática do aborto mencionam ter com frequência e até mesmo reações psicóticas graves. Em muitos casos torna-se necessário recorrer a tratamento psiquiátrico para fazer face a esses sentimentos. E esta realidade está documentada em inúmeros artigos científicos.

Ainda mais significativo foi o fato de 25% das mulheres sujeitas ao aborto frequentarem consultas de psiquiatria, comparadas com 3% das mulheres do grupo de controle. Existem inúmeros estudos publicados que indicam a existência de uma relação entre a prática de aborto legal e um risco acrescido de perturbações psiquiátricas. As patologias associadas são várias: perturbações depressivas e ansiosas, disfunções sexuais, ideação suicida, abuso de álcool e drogas, estresse pós-traumático etc.

O que se deveria providenciar com urgência é o esclarecimento, a orientação devida à mulher que deseja ser submetida à interrupção voluntária da gravidez. Alertá-la quanto às consequências físicas e psicológicas de grande intensidade que lhe poderão acarretar problemas futuros de grande significação. A execução do aborto, sendo admitida juridicamente, pode parecer para toda a sociedade, principalmente entre os jovens, como uma prática sem inconvenientes físicos, nem espirituais, quando, em realidade, se revela como um expediente assaz cruel, assassinando seres sem a capacidade da resistência e sem que tenham condições de se manifestar.

Ao mesmo tempo a mãe que não queira cuidar do recém-nato poderá, com acompanhamento jurídico, doá-lo, desde que muitas mulheres inférteis desejam, ardentemente e dotadas de muito amor, hospedar em seu coração um estimado e bem-vindo “forasteiro” (Mateus 25:35). 

Importante assinalar igualmente que os leitos hospitalares estão cada vez mais escassos, passando os brasileiros por inúmeras crises vergonhosas, entre tantas, a da área médica, observando-se com pesar os doentes serem albergados até mesmo nos corredores e muitos deitados no chão. Em um cenário tão desastroso e desumano como esse, em caso de liberação da prática abortiva, dificilmente haverá a possibilidade de se conseguir naturalmente internações na rede pública. Em detrimento dos pacientes que anseiam por tratamento, muitos até lutando para viver, serão oferecidas vagas para mulheres abortarem?

A interrupção voluntária da gravidez corresponde a um procedimento covarde, massacrando pessoas inocentes que se preparam para a vida e não para a morte e que deveriam estar protegidas, no claustro materno, cercadas de amor e afeição. Parafraseando Jesus, para a época atual, diria para todos os que vibram positivamente para que o aborto seja disseminado: “Ó geração sem fé e perversa! ...” (Lucas 9:41).

Que as nossas preces sejam endereçadas não somente aos espíritos que passam pela agonia do extermínio do seu corpinho físico e consequente adiamento do resgate de seus débitos ou conquista de novos aprendizados, como igualmente pelas mulheres que cometem esse crime horrendo, muitas vezes em total desespero e despreparo.

Deus é Amor (1 João 4:8) e, certamente, outras portas se abrirão para os seres extrafísicos em sofrimento pós-aborto e as mulheres que se equivocaram receberão, para se reabilitarem da culpa e do remorso, muitas oportunidades reencarnatórias redentoras, algumas até vivenciando a expiação da esterilidade.

Para os seres que foram agraciados, na reencarnação, com oportunidades valiosas para o crescimento espiritual- uma delas é a chance sublime da maternidade – e não as valorizaram, a misericórdia divina poderá propiciar o resgate expiatório essencial. Disse Jesus: “...Até o pouco que tem lhe será retirado” (Parábola dos Talentos – Mateus 25:29).

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