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Artigo do Jornal: Jornal Novembro 2017

Sobre o autor

Iris Sinoti

Iris Sinoti

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O que faz você ficar ansioso(a)? A crise na bolsa de valores? A crise econômica mundial? A corrupção? As ameaças terroristas? Doenças? Violência? Para a maioria das pessoas, o estado ansioso é provocado por questões menos graves que todas essas e, mesmo assim, elas consideram normal, afinal, participar da sociedade contemporânea já é pré-requisito para tornar-se ansioso. Mas será que o “normal” é ser ansioso, será esse o nosso destino?

Sempre que me encontro nas estações de metrô das cidades que já visitei não consigo evitar a pergunta: Por que as pessoas não saem um pouco antes e evitam essa correria? Mas, ao mesmo tempo observo que parte das pessoas se habituou ao corre-corre e mesmo que não estejam atrasadas elas correm... Talvez estejamos confundindo e transformando uma patologia em comportamento normal.

Afinal, o que é ansiedade? “A ansiedade nada mais é do que a tensão entre o agora e o depois...", assim definia Carl Gustav Jung. No estado de ansiedade a pessoa permanece em constante tensão, pois o agora não é aproveitado em sua inteireza e plenitude, porque o depois pode trazer surpresas que precisam ser adiadas, evitadas e banidas. Esse constante estado de tensão é a principal característica do ansioso, que não vive o presente.

A ansiedade é um importante equipamento biológico para a nossa sobrevivência, como afirma o psiquiatra Geraldo Ballone, mas o grande problema é que o homem moderno não a utiliza para esse fim. E, assim, ela saiu de uma condição normal de alerta e ficou a serviço da nossa existência corrida, atendendo exigências quantitativas e qualitativas da vida moderna.

Diante de um comportamento totalmente voltado para fora, o homem e a mulher dos tempos atuais deixaram-se dominar pela sombra pessoal e coletiva, ficando cada vez mais vulneráveis. “Impulsionado ao competitivismo da sobrevivência e esmagado pelos fatores constringentes de uma sociedade eticamente egoísta, predomina a insegurança no mundo emocional das criaturas1”. Sem um ideal para viver as pessoas passam a abraçar o ideal “coletivo”, adotando comportamentos, gostos, trejeitos e atitudes que os fazem aceitos pelo grupo; afastados de si mesmos vão sendo conduzidos e saindo de um problema e entrando noutro, passam a vida correndo e não conseguem chegar a nenhum lugar que verdadeiramente os preencha.

A ansiedade virou um grande problema psicológico porque ela nos impede de viver nossas vidas de maneira plena. Torna-se também um grande problema moral, porque na maioria das vezes as estratégias escolhidas no momento da ansiedade são prejudiciais, impeditivas, nos comprometendo principalmente porque nesse estado acredita-se poder controlar a vida própria e a dos outros; acredita-se poder evitar todas as coisas que nos incomodam, e entramos no ciclo vicioso de atenção e tensão que nos adoece e bloqueia o natural fluir da vida.

Precisamos urgentemente aceitar o grande desafio do autoconhecimento, identificar as nossas verdadeiras necessidades, sem excluir as necessidades emocionais que têm sido tão negligenciadas. Se não penetrarmos no nosso vazio a consequência será inevitavelmente o adoecimento, seremos cada vez mais uma sociedade marcada pela ansiedade, pelo medo de viver, pelo medo do futuro.

Assim, não esqueçamos as palavras de Jesus: “Não vos aflijais tanto com o dia de amanhã. A cada dia bastam as suas aflições. Olhai as aves do céu, que não semeiam nem ceifam, nem guardam em celeiros... No entanto, não lhes falta o necessário porque o Pai Celestial sustenta a todas elas. Olhai os lírios do campo, que não fiam e nem tecem... No entanto vos digo que nem Salomão, em toda a sua grandeza, jamais se vestiu como qualquer deles”2.

O que você vai encontrar no seu futuro?


1 Joanna de Ângelis. O Homem Integral, cap.1.

2 Evangelho de Mateus 6: 25-34

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