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Artigo do Jornal: Jornal Janeiro 2017
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Os sonhos premonitórios são aqueles cujo conteúdo remete a futuros acontecimentos. No Novo Testamento há muitas referências aos sonhos dessa espécie em torno de Jesus menino: o sonho de José quanto ao nascimento do salvador através de Maria; a advertência aos Reis Magos para que não retornassem à presença de Herodes, que queria informações sobre a criança para exterminá-la; o alerta a José para que fugisse com Maria e o menino Jesus para o Egito, depois chamando-os de volta às terras de Israel; e por fim orientando-os para que instalassem residência em Nazaré, na Galileia. Todos estes foram sonhos produzidos a partir do encontro com entidades angélicas envolvidas no episódio da vinda do Cristo à Terra. Os sonhos premonitórios em geral podem ser um alerta para aquele que sonha, de modo que possa tomar determinadas providências ou atitudes, quanto para todos aqueles outros que fazem parte do contexto. Podem estar relacionados a uma pessoa como a toda uma coletividade; ao sonhador ou a terceiros; antecipar o conhecimento de algo em um dia ou em vários séculos. Podem dar a conhecer o futuro de maneira clara ou vaga; objetiva, como nos exemplos acima ou simbólica como os sonhos do faraó do Egito relatados no Antigo Testamento.

Ao final de dois anos, o faraó teve um sonho. Ele estava em pé junto ao rio Nilo, quan­do saíram do rio sete vacas belas e gordas, que começaram a pastar entre os juncos. Depois saíram do rio mais sete vacas, feias e ma­gras, que foram para junto das outras, à beira do Nilo. Então as vacas feias e magras comeram as sete vacas belas e gordas. Nisso o faraó acordou. Tornou a adormecer e teve outro sonho. Sete espigas de trigo, graúdas e boas, cresciam no mesmo pé. Depois brotaram outras sete es­pigas, mirradas e ressequidas pelo vento leste. As espigas mir­radas engoliram as sete espigas graúdas e cheias. Então o faraó acordou; era um sonho (Gênesis, 41:1-7).

Estes sonhos foram interpretados por José como representando sete anos de fartura seguidos por mais sete de fome que se abateriam sobre o povo egípcio. O faraó decretou José governador do Egito a fim de que coordenasse as ações necessárias a fim de que durante os anos de fartura se pudesse armazenar trigo suficiente para aplacar a fome nos anos difíceis, conforme orientação do próprio José.

Sonhos premonitórios podem resultar de uma orientação, advertência ou aviso recebidos dos Espíritos, mas podem também revelar a existência de percepções mais avançadas que possuímos e que permanecem limitadas pelo corpo físico até eclodirem seja em vigília ou nos momentos de emancipação da alma, onde o controle do corpo é menos presente. Enquanto este dorme, o Espírito é mais livre e pode fazer uso das suas faculdades que podem penetrar o futuro. Uma espécie de dupla vista que consegue abarcar passado, presente e futuro como se fossem um só.

O estudioso e pesquisador francês Léon Denis na obra No Invisível se refere ao sonho de Calpúrnia (Plutarco em Vida de Júlio César), mulher de César; de Simônides (Cícero em De Divinatione); de Atério Rufo e do rei Creso (Valério Máximo). Descreve o sonho de Montlue que previu a morte do rei Henrique II (em Comentários).

Também relata o sonho de Abraão Lincoln que sonhou que se achava em uma calma silenciosa, como de morte, unicamente perturbada por soluços; levantou-se, percorreu várias salas e viu, finalmente, ao centro de uma delas, um catafalco em que jazia um corpo vestido de preto, guardado por soldados e rodeado de uma multidão em pranto. “Quem morreu na Casa Branca?” Perguntou Lincoln. “O presidente; respondeu um soldado foi assassinado!” Nesse momento uma prolongada aclamação do povo o despertou. Pouco tempo depois morria ele assassinado.

No âmbito materialista se torna difícil encontrar uma explicação que consiga justificar este tipo de sonho. Alguns evocam a ideia do inconsciente que consegue comunicar-se com outro inconsciente, ultrapassando as barreiras do tempo e do espaço. Creio que a ideia de independência da alma corresponde melhor e consegue englobar toda a grande variedade de experiências com sonhos que antecipam o futuro. No sono os sentidos encontram-se entorpecidos, como que nulificados dando à alma maior liberdade de ação e pensamento. Mais surpreendente ainda a experiência vivida pela mãe do célebre pesquisador e escritor Camille Flammarion: Em um certo verão, fora uma das minhas irmãs, com seu marido e seus filhos, residir na pequena cidade de Nogent (Alto Marne); meu pai os havia acompanhado, permanecendo minha mãe em Paris. Todas as crianças estavam de perfeita saúde e não havia a menor inquietação a respeito deles.

Minha mãe sonha que recebe de meu pai uma carta na qual lê esta frase: “Sou o portador de uma triste notícia: o pequeno Henrique acaba de morrer, quase sem ter estado doente, em consequência de convulsões”. Acordando, diz minha mãe para consigo mesma: “Não é mais do que um sonho; todo sonhar, todo enganar”.

Oito dias depois, uma carta de meu pai trazia exatamente a mesma frase. Desolada, minha irmã acabava de perder seu recém-nascido, em consequência de convulsões (Grifos originais) (O Desconhecido e os Problemas Psíquicos, 1917).

Muitos outros casos são descritos pelo autor, mas vamos ficar por aqui para não nos estendermos além dos limites necessários. O importante é sabermos que esse tipo de sonho existe, apesar de não ser tão comum. Representa um efeito psíquico e não fisiológico, já que o organismo físico se encontra fora de ação. A despeito do objetivo particular a cada um dos sonhos, eles representam mais uma possibilidade que a alma encontra para manifestar-se a fim de atestar a sua existência. Poder-se-ia afirmar que é a mente que se revela nesses episódios quando os sentidos físicos se embotam no ato de dormir. Perguntaremos: se o cérebro faz parte do corpo, de que faz parte a mente? Seria o simples produto do ato de pensar proporcionado pela massa cerebral? Os exemplos citados até aqui mostram uma independência do ato de pensar quando este existe durante a inconsciência corporal. Além disso, revela a existência de algo (a alma) que é não-local e atemporal, pois desconhece distância no espaço e no tempo e que representa um ser distinto do aglomerado biológico.

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