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Artigo do Jornal: Jornal Janeiro 2017
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Chapecó é uma cidade situada no oeste catarinense, considerada a capital brasileira da agroindústria, onde há predomínio das culturas de milho e soja, além da intensa produção de carne suína e de aves. Seu parque industrial é pujante e bem diversificado. Os indicadores socioeconômicos da cidade estão entre os mais altos do País .

Importante frisar que Chapecó tem o seu traçado em forma de xadrez, sendo sua população estimada em mais de 200.000 habitantes. É a quinta maior cidade do Estado de Santa Catarina.

Em 29 de novembro de 2016, o avião que transportava a Delegação Chapecoense de Futebol para a Colômbia caiu a poucos quilômetros do Aeroporto José Maria Córdova, situado na cidade de Medellín, onde seria disputada a primeira partida da final da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional.

A cidade amanheceu de luto. De repente, a tristeza se fez presente, anulando por completo o clima de otimismo em relação ao clube, que paulatinamente se firmava entre os melhores do País, com a chance memorável de trazer o título sul-americano para a nossa pátria.

O povo, que se orgulhava pelo sucesso do seu agronegócio amalgamado com a ardente paixão pelo Clube Chapecoense, foi acometido de intenso abatimento. A sensação era de que o mundo terminou. De imediato, a população brasileira, igualmente, participou do drama vivenciado em Chapecó, manifestando intensa tristeza e desalento.

A tenebrosa notícia da catástrofe sacudiu a Colômbia e todo o mundo. Afinal, de súbito, foi extinta toda a delegação; de supetão, caiu por terra a sensação de se sentir destemido e forte. Contudo, depois do primeiro momento de consternação, as mensagens de solidariedade  e apoio às vítimas não tardaram. O Atlético Nacional solicitou e foi concedido aos chapecoenses o título simbólico de campeão sul-americano.

A população começou a se reunir para aplaudir e orar pelos seus heróis, enchendo o estádio da cidade. O mesmo acontecia na Colômbia, com o povo se agrupando para homenagear os atletas brasileiros.

O momento é de oração, de enviar vibrações de solidariedade, de afeto e de tranquilidade a todas as vítimas do acidente aéreo, como igualmente aos parentes e amigos. A Doutrina Espírita enfatiza a necessidade de manter-se o pensamento em harmonia para que os Espíritos que desencarnaram de forma violenta possam receber os eflúvios de serenidade e de esperança e que o processo de sintonia com os que ficaram cada vez mais se realize em consonância com a paz.

O Evangelho Segundo o Espiritismo , capítulo 14, item 9, através da Entidade de Santo Agostinho, enfatiza, confortando que “as provas rudes, ouvi-me bem, são quase sempre indício de um fim de sofrimento e de um aperfeiçoamento do Espírito, quando aceitas com o pensamento em Deus. É um momento supremo, no qual, sobretudo, cumpre ao Espírito não falir murmurando, se não quiser perder o fruto de tais provas e ter de recomeçar”.

Na Questão 740 de “OLE” ( O Livro dos Espíritos ), o insigne Allan Kardec pergunta: - “Não serão os flagelos, igualmente, provas morais para o homem, por porem-no a braços com as mais aflitivas necessidades? A resposta, pronta e objetiva: “Os flagelos são provas que dão ao homem a ocasião de exercitar a sua inteligência, de demonstrar sua paciência e resignação ante a vontade de Deus e que lhe oferecem ensejo de manifestar seus sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo, se o não domina o egoísmo”.

A ocasião é de congratulação a todas as pessoas da cidade de Chapecó que se esforçam para vencer essa terrível batalha, sabendo inconscientemente que as vítimas do acidente aéreo se libertaram do jugo terreno e se encontram bem no seio da imortalidade.

A morte não existe, porquanto a vida não se extingue após o decesso corporal. Se não houvesse vida fora do túmulo, não teria sentido a vida antes da morte.  

O Cristo, na vivência física, manteve contato com os Entidades desencarnadas. No chamado “Monte da Transfiguração”, dialogou com os Espíritos Elias e Moisés, utilizando-se dos médiuns de efeitos físicos, Pedro, Tiago e João, os quais se encontravam doando a névoa ectoplásmica, responsável pelo processo mediúnico da materialização – “Pedro e seus companheiros achavam-se premidos de sono” (Lucas 9:32). Somente a hipótese de estarem mediunizados explicaria o fato de estarem dormindo após a transfiguração do Mestre. 

O querido Mestre Jesus revelou-se no maior exemplo da certeza da vida após a vida. Ele mesmo atestou a imortalidade, revelando a morte da morte, continuando a viver. Aparece a Madalena, em pleno sepulcro, recém-materializado, ultraeletrizado, alertando-a para que não o tocasse, o que lhe acarretaria vigoroso choque elétrico. Através, igualmente, do fenômeno mediúnico da ectoplasmia, dialoga com alguns apóstolos, no caminho de Emaús e surge, no recinto fechado, comprovando pela mediunidade de efeitos físicos a imortalidade. Do mesmo modo, não se nega ao intercâmbio mediúnico, comunicando-se pessoalmente com o discípulo Tomé, inicialmente incrédulo, negando o retorno do Cristo ao convívio com seus discípulos.

A materialização do Mestre, ressaltando a sobrevivência do ser, constituiu-se em pedra basilar do Cristianismo, conforme atesta Paulo, dizendo que “se não há ressurreição de mortos, então Cristo não ressuscitou. E se o Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã a vossa fé” (1 Coríntios 15:14). O Apóstolo dos Gentios enfatiza que os mortos ressuscitam em corpo espiritual (1 Coríntios 15:44) e brada, com grande convicção: “Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? (1Coríntios 15:54-55).

O povo chapecoense já passou por muitas fases ruins (“A Guerra do Contestado”, de 1912 a 1916, e, em 2005, o acidente com o ônibus da equipe de handebol) e, certamente, como é constituído de pessoas capazes e valorosas, dará ao mundo um exemplo de superação, mantendo o progresso econômico e começando com a constituição de um novo plantel, com a contratação de jogadores e dirigentes que sejam tão exímios como foram os vitimados na tragédia na Colômbia.

A Doutrina Espírita enfatiza que o mundo não é presidido pelo acaso e a esperada e misericordiosa expiação coletiva faz com que se reúnam Espíritos afins na busca de uma reparação espiritual final com a consequente reconciliação consigo mesmos. Todos os Espíritos desencarnados pela queda do avião se encontram seguros e amparados, ante as bênçãos de Deus, Pai extremamente Justo e Amoroso.

Os mortos vivem e têm consciência de suas individualidades. Após o fenômeno da morte, continua a vida. Aproveitemos a união de pensamento de tantos corações ligados ao trágico acontecimento para emitirmos vibrações de paz e conforto espiritual, não somente para os que se libertaram dos liames físicos, como igualmente para todos os parentes, amigos dos vitimados e torcedores apaixonados da Chapecoense.

Que o Mestre Jesus ampare a todos, abençoando-os e iluminando-os, nessa nova caminhada em direção ao Infinito, sob as graças magnânimas de Deus.

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