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Artigo do Jornal: Jornal Agosto 2016

Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

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O estudo da Doutrina Espírita é, ao mesmo tempo, simples e complexo. É simples por ser uma doutrina essencialmente lógica; e complexa por tratar de questões que transcendem, em muito, a capacidade humana de entendimento por faltar conhecimento básico.

       Dentre os temas que apresentam certa dificuldade para justa avaliação pode-se salientar a gradação evolutiva, ou as diferentes ordens ou níveis, em que se encontram os espíritos.

       Em termos da humanidade, encarnada ou não, ligada ao planeta Terra, existem limitações concernentes ao conhecimento de outras variedades de existências, comportamentos muito diferentes daquele encontrado no ambiente em que vivem, neste ou em outro mundo. Esta limitação pode ser considerada como uma imposição relacionada ao tipo, ou características, desta mesma humanidade, isto é, que apresenta alto grau de orgulho e egoísmo que impede a ampliação mental necessária para enxergar além do próprio interesse pessoal e momentâneo.

       Importa ressaltar que muitos não conhecem os diversos sistemas de governo e modo de vida em países outros que não seja o próprio; desconhecem, inclusive a história do país onde vivem. Com isso, comete-se os mesmos erros de outros locais ou de outras épocas, dificultando, com isso, a melhoria da condição social e política, mantendo-se em um ciclo sem fim. Com este tipo de ambiente sócio-cultural, os avanços são modestos, difíceis de serem alcançados e frágeis.

       Assim, as questões que surgem são: Como apresentar uma ideia para a qual os ouvintes não possuem em seu arcabouço mental o conhecimento básico? No caso específico dos níveis evolutivos do espírito, como ser possível conceber que possa existir uma sociedade, ou humanidade, que não norteia suas ações no interesse pessoal e satisfação dos desejos momentâneos, sem disputas ou má conduta?

       Nestas condições, a interpretação mais trivial, independentemente da forma como a ideia for apresentada, é considerar que apenas os privilegiados podem estar em condição melhor ou mais adequada. Como o Espiritismo demonstra que não existe espírito privilegiado em decorrência de uma “graça divina”, se considera que a felicidade, por exemplo, seria apenas uma condição dos “mais velhos”, os espíritos que “foram criados a mais tempo”, como se Deus causa primária de todas as coisas estivesse sujeito a algum tipo de fluxo temporal.

       Na questão 96 dO Livro dos Espíritos, Kardec pergunta se os espíritos são iguais ou há distinção, hierarquicamente falando; a resposta demonstra que existe diferença relacionada com o grau de perfeição que tenham alcançado. Contudo, não há menção à “idade” ou época de criação.

       Um grau de perfeição maior ou menor, não necessariamente estaria relacionado com tempo, mas com dedicação e empenho, por exemplo.

       Desta forma, em linhas gerais, os espíritos responsáveis pela Codificação Kardequiana apresentaram uma abordagem didática para o entendimento do estado ao qual o espírito pode alcançar. Na questão 97, ainda nO Livro dos Espíritos, é apresentada uma divisão em três níveis definida da seguinte forma: “Na primeira, colocar-se-ão os que atingiram a perfeição máxima: os puros Espíritos. Formam a segunda os que chegaram ao meio da escala: o desejo do bem é o que neles predomina. Pertencerão à terceira os que ainda se acham na parte inferior da escala: os Espíritos imperfeitos. A ignorância, o desejo do mal e todas as paixões más que lhes retardam o progresso, eis o que os caracteriza”.

       Tem-se, desta forma, uma distinção toda baseada em questões morais e, mais ainda, é salientado que os espíritos de terceira ordem, pelas suas próprias características retardam o processo evolutivo.

       Deve-se, portanto, analisar o grau evolutivo do espírito abstraindo-se da “idade”, mas segundo sua postura diante da própria existência e da do próximo. Assim, não se considera a questão do tempo para passar de um nível para outro, mas pela alteração desta postura que viabilizará o processo.

       Diante desta possibilidade, o atendimento a espíritos desencarnados que se encontram no equívoco, muitos atuando como obsessores, poderão, em um atendimento adequado, abandonarem um determinado comportamento para se dedicarem à uma nova etapa.

       Pode-se dizer que o fato de haver, no meio espírita, uma atividade voltada exclusivamente para o atendimento de espíritos em condição equivocada, voltados, ainda, para atividades de cunho negativo, denota o entendimento de se tratar de um estado transitório. Tal entendimento não é encontrado em outras vertentes de pensamento ou religiosas, nas quais se encontram práticas apenas para afastar ou expulsar espíritos maus.

       Tomando a humanidade terrena como referência e recorrendo ao artigo intitulado Os Demônios, publicado no jornal Correio Espírita em junho de 2016, ser “demônio”, no sentido de espírito equivocado ou não é apenas uma questão de referência sem, com isso, significar um estado permanente, onde a transformação será sempre possível a qualquer momento.

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