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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2016

Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

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       A história da humanidade apresenta as mais diversas abordagens para a existência de espíritos, o que seriam e como se apresentariam. Dentre os modos de interpretação do mundo espiritual que, de forma geral, todos trazem ao menos a suspeita de sua existência, é muito comum a crença em variados níveis, ou hierarquia, dos seres que ali habitariam. As diferentes características são comumente descritas como arcanjos, anjos, diabretes, demônios etc., demostrando uma distinção entre bons e maus em variadas gradações.

       Visando esclarecer este tema de relativa complexidade em decorrência da impossibilidade de observação direta, na questão 96 de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta: “São iguais os Espíritos, ou há entre eles qualquer hierarquia?”. E obtém como resposta: “São de diferentes ordens, conforme o grau de perfeição que tenham alcançado”.

       Depreende-se da resposta apresentada que há diferenciação entre os espíritos e, observando a diversidade de ideias e comportamento na humanidade do planeta, pode-se considerar que engloba tanto os desencarnados quanto os encarnados.

       O ponto de partida para qualquer análise sobre os espíritos deve ser as características da Divindade, pois, sendo a causa primeira de todas as coisas, incluindo os próprios espíritos, deve nortear os estudos para o melhor entendimento deste e de tantos outros temas.

       A consideração mais precisa possível sobre as características da Divindade é de tamanha importância que Kardec, no livro A Gênese, a salientou dizendo o seguinte: "Sem o conhecimento dos atributos de Deus, impossível seria compreender-se a obra da criação. Esse o ponto de partida de todas as crenças religiosas e é por não se terem reportado a isso, como ao farol capaz de as orientar, que a maioria das religiões errou em seus dogmas”.

       Desta forma, baseado na bondade e na justiça do Criador, não se pode considerar a possibilidade de seres privilegiados ou criação diferenciada para seus filhos. Na questão 804 de O Livro dos Espíritos fica claro que os espíritos são criados iguais, assim, a diferença existente entre os espíritos em geral e aquela que pode ser diretamente observada entre os encarnados deve ser decorrente de outro motivo, e não do processo da Criação.

       Partindo do princípio que não se pode creditar à Deus a condição em que o espírito se encontra, que se traduzirá em entendimento e comportamento, esta deve ser decorrente de processos pertencentes aos próprios espíritos as escolhas pessoais. Em outras palavras, as diferenças entre os espíritos são decorrentes do processo evolutivo em si.

       Todavia, baseando-se na infinita bondade de Deus, não se pode considerar que a prática do mal e todas as consequências advindas sejam inerentes ao processo evolutivo em si, mas decorrentes das opções pessoais, isto é, o uso que fazem do livre arbítrio.

        Sendo o mal, como mencionado, decorrente da decisão pessoal, pode-se partir do princípio de que deva haver algum tipo de mecanismo visando impedir que aqueles que não se empenham para o próprio aprimoramento e, com isso, pratiquem atos inadequados, perturbem aqueloutros que trabalham por se melhorarem. A afinidade psíquica, no sentido dos espíritos se agruparem segundo a correspondência de gostos, de atitudes e de sentimentos, seria uma necessidade para o bom funcionamento do processo evolutivo, tanto para aqueles que se comprazem no mal, por vivenciarem as consequências de suas próprias atitudes, quanto para os outros, que sintonizam com o bem, não serão afetados por comportamentos de rebeldia e insensatez.


       A encarnação dos espíritos ligados ao planeta Terra, que se caracteriza, segundo os responsáveis pela Codificação Kardequiana, como um mundo de expiação e de provas, está relacionada com a afinidade. Isto significa que os espíritos deste mundo se encontram sobre a mesma condição, apesar das diferenças em gostos, tendências e preferências observadas.

       Nesta abordagem, considera-se que exista algum ponto em comum entre todos os espíritos encarnados na Terra.

       Encontra-se nO Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo VII, intitulado Os Pobres de Espírito, a seguinte explicação: “Generaliza-se o mal-estar. A quem inculpar, senão a vós que incessantemente procurais esmagar-vos uns aos outros? Não podeis ser felizes, sem mútua benevolência; mas, como pode a benevolência coexistir com o orgulho? O orgulho, eis a fonte de todos os vossos males. Aplicai-vos, portanto, em destruí-lo, se não lhe quiserdes perpetuar as funestas consequências”.

       Desta forma, percebe-se que o ponto em comum que une todos os espíritos ligados ao mundo de expiações e provas no planeta Terra é o orgulho, cujo combate somente será efetivo a partir do autoconhecimento que visaria identificar todas as suas formas de expressão.

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