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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2016

Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

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       O perispírito apresenta particularidades das mais diversas, o que pode ser inferido do fato de se tratar de um veículo de expressão do espírito nas mais variadas condições de existência; em O Livro dos Médiuns, Kardec diz que: "Somente faremos notar que no conhecimento do perispírito está a chave de inúmeros problemas até hoje insolúveis”. Tão grande é sua importância que o espírito sempre manterá esta estrutura, apesar de se tornar cada vez mais diáfana, conforme o espírito evolui.

       Segundo foi apresentado no artigo publicado no Jornal Correio Espírita de abril de 2016, foi abordado o papel do perispírito nos processos mediúnicos como sendo de natureza energética, os quais foram comparados à tecnologia utilizada em telefonia móvel, o telefone celular. Contudo, uma outra tecnologia também muito utilizada no dia a dia fornece material para melhor aprofundamento desta questão: a RFID (identificação por radiofrequência ou "radio frequency identification", em inglês).

       Apesar de parecer algo muito complicado e muito distante do cotidiano, esta tecnologia já faz parte da vida diária em uma cidade, pois é utilizada em lojas como, por exemplo, para detectar se alguém tentar furtar uma peça de roupa ou pequenos equipamentos. Um pequeno dispositivo é preso na peça de roupa e, nas portas de saída das lojas, são instalados portais, ao tentar transpassar o portal com uma peça com o dispositivo anexado, um alarme soará, avisando aos funcionários que algo fora do normal está ocorrendo.

       Outro uso para esta tecnologia, dentre muitas, é para automóveis passarem por pedágios ou estacionamentos, muito comum em "shopping centers”, com pagamento automático, agilizando o tráfego.

       A forma como esta tecnologia funciona é relativamente simples, por processo indutivo. A componente fixa e maior, tal qual o portal nas lojas, do sistema emite um campo forte magnético que, através de um processo de indução magnética, faz gerar na parte móvel, dispositivo fixado na peça, uma corrente elétrica que, por sua vez, alimenta um sistema de emissão de dados, informação, que será registrado e identificado pela componente fixa. No caso das lojas, o registro fará soar o alarme, no caso dos automóveis, o registro corresponderá aos dados do veículo para geração da cobrança.

       A geração de eletricidade no dispositivo móvel é realizada através da indução do campo magnético em uma bobina, que consiste em um fio de metal, normalmente de cobre. Esta corrente elétrica se manterá enquanto a bobina estiver sob a ação do campo magnético.

       Existem diversas outras particularidades sobre o funcionamento do sistema RFID, mas que não são relevantes para a finalidade deste texto.

       André Luiz (espírito) sob a psicografia de Francisco C. Xavier, no livro Mecanismos da Mediunidade, apresenta os fenômenos mediúnicos sob uma abordagem de indução, e diz:

       “Tanto quanto, no domínio da energia elétrica, a indução significa o processo através do qual um corpo que detenha propriedades eletromagnéticas pode transmiti-las a outro corpo sem contato visível, no reino dos poderes mentais a indução exprime processo idêntico, porquanto a corrente mental é suscetível de reproduzir as suas próprias peculiaridades em outra corrente mental que se lhe sintonize. E tanto na eletricidade quanto no mentalismo, o fenômeno obedece à conjugação de ondas, enquanto perdure a sustentação do fluxo energético”.

       Considerando os processos mediúnicos como de natureza indutiva, haverá o surgimento de uma corrente mental, ou fluxo de informação, através de um sistema que se manterá ativo durante o período do fluxo energético. Comparativamente ao sistema RFID, pode-se supor que exista na estrutura físico-perispiritual do médium algo como uma bobina, necessário para o estabelecimento da corrente.

       Diversos equipamentos eletroeletrônicos utilizam bobinas que são dimensionadas segundo a necessidade. Similarmente, pode-se supor que seja um “dispositivo” equivalente a bobinas que existem na estrutura mediúnica que será dimensionado segundo a potencialidade do médium estabelecido no processo reencarnatório. Contudo, sendo um “dispositivo" cuja natureza potencial é variável, poder-se-ia regular, dentro de certos limites estabelecidos na encarnação, conforme a necessidade, podendo ser aumentada ou, em casos extremos de necessidade, inclusive anuladas.

       A variação do potencial mediúnico de um determinado médium é discutida em O Livro dos Médiuns, ao tratar da perda e suspensão da mediunidade, sem, contudo, apresentar o processo em si. Todavia, segundo informações recebidas por vias mediúnicas, o “dispositivo" estaria localizado na região intersticial entre o perispírito e o corpo físico, possuindo a possibilidade de ajustes segundo a necessidade.

       É certo que ainda falta muito para o completo entendimento do perispírito e dos processos mediúnicos, contudo, o avanço do conhecimento possibilita cada vez mais o desenvolvimento de conceitos e teorias mais adequadas e viáveis, visando maior controle do médium nas comunicações e o entendimento daquilo que vivencia.

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