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Artigo do Jornal: Jornal Novembro 2018
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É atribuída a Esopo história de um carroceiro que conduzia pesada carga. Em dado momento, a carroça atolou em solo instável. Os cavalos não conseguiam movê-la. Olhando ao redor, notou a presença de Hércules, o herói grego. Confiante, pediu-lhe auxílio. Estava diante de um filho dos deuses, o homem mais forte do Mundo! Para sua surpresa, ouviu uma reprimenda:

          – Faça força! Empurre! Estimule os cavalos! Se você não se dispuser a ajudar-se, não espere que eu o faça!

          Certamente, o prezado leitor conhece outras versões desta história, sempre enfatizando o óbvio: diante das dificuldades e problemas, é preciso fazer a nossa parte, se esperamos pela ajuda do Céu.

          Benjamin Franklin (1706-1790), um dos homens mais lúcidos e empreendedores do século XVIII, deu forma definitiva a essa ideia, no seu Almanaque, em 1736: Deus ajuda quem se ajuda.

          No século seguinte, Allan Kardec (1804-1869) consagraria o mesmo princípio, no capítulo XXV, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, com a máxima sempre lembrada quando somos chamados a enfrentar os desafios humanos: Ajuda-te que o Céu te ajudará.

          Uma das características lamentáveis do ser humano, fruto de sua imaturidade, é a tendência ao acomodamento. Inspira uma interpretação equivocada da Lei de Causa e Efeito, que induz à inércia em situações difíceis. São encaradas como inexorável carma. Puro engano!

          Carma, amigo leitor, é o que não pode ser mudado; é a deficiência congênita, a esterilidade definitiva, a doença grave, a morte prematura; carma é o problema insolúvel, o prejuízo irreparável.

Nessas situações, compete-nos cultivar a resignação e a submissão aos desígnios divinos, para que nos conservemos em paz. É como ter um espinho no pé. Se não pode ser retirado, melhor andar com prudência, evitando agravar o ferimento e exacerbar as dores.

          Quanto ao mais, são contingências da jornada terrestre, que haveremos de superar com a ajuda de Deus, se estivermos dispostos a nos ajudar, movimentando-nos para tirar o carro existencial desses “atoleiros”.

          Vivemos hoje o terrível drama do desemprego que aflige multidões. Carma coletivo? Obviamente, não!

Trata-se de uma contingência gerada por inúmeros fatores: os desacertos dos governos, a recessão econômica, os avanços da tecnologia, a decantada globalização… Sobretudo, o que faz o desemprego é o egoísmo que concentra riquezas, subtrai oportunidades e faz do Homem “o lobo do Homem”.

          Sendo contingência, é superável. Apelando para o Céu e confiando em Deus, haveremos de encontrar meios de prover a própria subsistência.

Ensina Jesus (Mateus, 7:7-8): “Pedi e se vos dará; buscai e achareis; batei e se vos abrirá; porquanto, quem pede recebe e quem procura acha e àquele que bata, à porta abrir-se-á”.

Se orarmos de verdade, como Jesus ensinou, coração isento de mágoas, cérebro iluminado pela fé, nossa oração ganhará as alturas. Logo virá a resposta, ensejando-nos meios para superar o embaraço. Deus espera apenas que nos movimentemos, cultivando disposição e bom ânimo. E que, a cada dia, batamos às portas da iniciativa e procuremos nossos caminhos desde os alvores da manhã, porquanto, enfatiza velho aforismo: Deus ajuda quem cedo madruga.

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*Amigos leitores, com o retorno à pátria espiritual do nosso articulista, informamos que esse foi o nosso último artigo do já saudoso Simonetti. A redação.

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