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Artigo do Jornal: Jornal Dezembro 2017
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Depois que, há algumas décadas, neste país, um famoso, muito querido e merecidamente prestigiado médium e líder do nosso movimento doutrinário declarou, solene e enfaticamente, que não devemos evocar os espíritos, porque “o telefone toca de um lado só”, a prática mediúnica entre nós, que já não vinha recebendo a justa atenção, passou a ser ainda mais desprezada, em favor de um “Espiritismo sem espíritos”, tão somente evangélico.

Este é mais um tabu que precisamos dissecar com o bisturi da lógica kardequiana, em benefício da boa marcha do nosso ideal.

Façamos isto no presente escrito, com argumentos em toda linha racionais, frutos amadurecidos do bom senso preconizado pelo codificador do espiritismo.

Para começar, digamos que a condenação do ato evocativo dos desencarnados tem origem católica, sempre foi usada por sacerdotes da igreja romana no combate à crença que abraçamos. Isso lhes interessa porque, se os espíritos podem se comunicar conosco, obviamente não se acham isolados no céu de beatitude que eles imaginam existir, nem presos no inferno de fogo eterno que inventaram para infundir o medo nas multidões e assim dominá-las, nem encarcerados no purgatório que, segundo bula de um Papa, possui tranca para evitar fugas.

Dita essa verdade, acrescentemos logo uma referência ao fato concreto da posição de Allan Kardec favorável à evocação de espíritos. Aliás, a postura do codificador da nossa doutrina não apenas endossa a tese de que o telefone toca de “ambos os lados”, como ainda é condenatória, ou crítica, do ponto de vista contrário à mesma. Eis como ele começa o Capítulo XXV de O LIVRO DOS MÉDIUNS:

Os Espíritos podem comunicar-se espontaneamente, ou acudir ao nosso chamado, vir por evocação. Pensam algumas pessoas que todos devem abster-se de evocar tal ou tal Espírito e ser preferível que se espere aquele que queira comunicar-se. Fundam-se em que, chamando determinado Espírito, não podemos ter a certeza de ser ele quem se apresenta, ao passo que aquele que vem espontaneamente, e de modo próprio, melhor prova a sua identidade, pois que manifesta assim o desejo que tem de se entreter conosco. Em nossa opinião, isso é um erro: primeiro porque há sempre em torno de nós Espíritos, as mais das vezes de condição inferior, que outra coisa não querem senão comunicar-se; em segundo lugar e mesmo por esta última razão, não chamar nenhum em particular é abrir a porta a todos que queiram entrar. (KARDEC)

Após ter afirmado isso, mais à frente no item 274 do mesmo Capítulo, Kardec completa seu judicioso pensamento sobre o assunto nos seguintes termos:

Todos os Espíritos, qualquer que seja o grau em que se encontrem na escala espiritual, podem ser evocados: assim os bons, como os maus, tanto os que deixaram a vida de pouco, como os que viveram nas épocas mais remotas, os que foram homens ilustres, como os mais obscuros, os nossos parentes e amigos, como os que nos são indiferentes. Isto, porém, não quer dizer que eles sempre queiram ou possam responder ao nosso chamado. (KARDEC)

Aí está o essencial, o que nos importa saber relativamente à evocação de espíritos.

No mais, é suficiente atentarmos para esta outra observação de Kardec contida no item 278 do mesmo Capítulo da obra citada:

Uma questão importante que se apresenta aqui, a de saber se há ou não inconveniente em evocar maus Espíritos. Isto depende do fim que se tenha em vista e do ascendente que se possa exercer sobre eles. O inconveniente é nulo, quando são chamados com um fim sério, qual o de os instruir e melhorar; é, ao contrário, muito grande, quando chamados por mera curiosidade ou por divertimento, ou, ainda, quando quem os chama se põe na dependência deles, pedindo-lhes um serviço qualquer. (KARDEC)

Ficamos por aqui, porque o espaço da coluna acabou. Esperamos tê-lo preenchido sensatamente, escrevendo o que devíamos sem ser espiritólico, isto é, espírita misturado com católico. Este delicioso neologismo, espiritólico, não foi criado por nós, deixamos de dar o crédito do autor porque ignoramos seu nome.

(*) Nazareno Tourinho, parceiro do Dr. Carlos Imbassahy na obra O PODER FANTÁSTICO DA MENTE, editada há cinquenta anos, em 1967, é um velho autor espírita cujos últimos livros foram publicados e estão sendo distribuídos pela Editora LACHÂTRE (Instituto Lachâtre – Caixa Postal 164 – CEP 12914-970 – Bragança Paulista – SP Telefone: (11) 4063-5354. Site: www.lachatre.org.br – E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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