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Artigo do Jornal: Jornal Dezembro 2017

Sobre o autor

Cláudio Sinoti

Cláudio Sinoti

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Vivemos tempos desafiadores, nos quais somos testados diariamente em nossa capacidade de persistir na busca de iluminação, especialmente quando a sombra parece predominar e não dar tréguas, nos diversos campos de expressão humana.

As crises se manifestam em toda parte, e por isso mesmo temos que estar muito centrados e equilibrados para não nos deixar levar pela onda de pessimismo e desespero que vai tomando conta das pessoas, até mesmo no campo religioso, demonstrando que a fé que tanto se propaga aos outros ainda não é a “fé inabalável”, porquanto encontra-se vulnerável diante dos obstáculos externos e de todo o mal que a grande maioria se julga vítima.

Mas justamente por serem tempos difíceis e desafiadores que podemos e devemos colocar em prática tudo o que temos aprendido ao longo das nossas existências. Afinal, não podemos esquecer que o Mestre a quem desejamos servir nos pediu que carregássemos a nossa cruz, enfrentando “a agonia” de cada dia, o que ele próprio nos ensinou através do exemplo pessoal, lidando com o sofrimento de maneira nobre e nos recordando que o Reino que nos conclama não é do mundo do ego, das realizações imediatas e das ilusões, mas da alma, da instância divina em nós.

Temos que estar atentos que toda crise é prenúncio de transformação, e não de derrota, dores e agonias. Quando ficamos presos às suas aflições, deixamos de entender o seu chamado, o significado que se encontra por trás das dores que apresenta. Na rica simbologia dos ideagramas chineses, crise e oportunidade são representados da mesma forma, o que no mínimo é uma bela metáfora para pensarmos a respeito das oportunidades que estamos vivendo neste momento, para poder transformar a vida humana em algo muito mais rico, belo e nobre.

Em sua recente obra – Em Busca da Iluminação Interior – Joanna de Ângelis1 faz um alerta importante para esses dias que vivemos:

- “O ser humano procede da Divina Luz e avança para ela. Fazê-la ampliar a sua capacidade de iluminação é dever de toda consciência que desperta para o nível de si mesma, superando as investiduras que a tentam impedir. Ilumina-te!”

Por que dizemos tanto acreditar em Deus e O sentimos tão distante de nossas vidas? Por que nos deixamos desesperar, demonstrando tão pouca fé diante das ocorrências externas? É bem capaz que seja porque ainda duvidemos, no íntimo do nosso ser, da divina filiação, ou que acreditemos ainda em um Deus que deve suprir as necessidades do ego, enquanto que a vida está mais ocupada em aprimorar nossas almas na grande jornada evolutiva que participamos. O nosso próprio DNA, como comprovado pelo geneticista Deam Hammer, apresenta essa face divina em sua constituição. Por que fugimos tanto dessa condição? O que estamos temendo? O que estamos buscando? São questionamentos importantes a nos fazermos, para poder refletir sobre nossas atitudes, e aproveitar esse momento para transformar o que já passou do tempo de ser transformado.

Ilumina-te! Propõe a Benfeitora Espiritual. Não é o momento de estarmos tão preocupados com a iluminação dos outros, mas principal e essencialmente com a própria iluminação. E para isso somos convidados a lidar com a nossa sombra, as partes da personalidade que não cuidamos, e que Kardec e os espíritos nobres tão bem definiram quando falaram a respeito das inclinações más. Não foi à toa que Santo Agostinho propôs uma terapia diária na tão conhecida e repetida (e infelizmente tão pouco praticada) Questão 919 de O Livro dos Espíritos. Passar em revista a nossa própria consciência, e não a do outro. Buscar refletir, no interior de si mesmo, as atitudes, pensamentos e sentimentos que já não devem ter lugar em nossas vidas, e passo a passo construir um caminho de transformação, um caminho de iluminação interior, pois somente assim poderemos honrar nossa condição de cristãos e de espíritas.

Somente uma coisa nos é pedida nesta jornada: que sejamos o melhor “eu” que podemos ser. Essa será nossa melhor contribuição à sociedade conturbada dos nossos dias. Assim procedendo, estaremos com as nossas “candeias” no alto, iluminando o caminho e os nossos passos, e auxiliando aos que ainda se debatem nas sombras, pois somente o nosso exemplo pessoal poderá ensinar que ainda há esperança.

E nesses dias onde a sombra parece prevalecer, sustenta-te na divina luz, iluminando-te, servindo e amando. Somente assim estaremos comprometidos com a jornada de iluminação interior.


1 Em Busca da Iluminação Interior. Por Joanna de Ângelis (Divaldo Franco), Iris Sinoti & Cláudio Sinoti. Editora Leal. 2017.

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