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Artigo do Jornal: Jornal Novembro 2017

Sobre o autor

Itair Ferreira

Itair Ferreira

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            O grande escritor Monteiro Lobato, convidado em novembro de 1947 pelo confrade espírita Pedro Granja para prefaciar seu livro intitulado Afinal, quem somos?, assim escreveu:

           “Pede-me, meu caro Pedro Granja, prefácio para este livro e eu tremo! AFINAL, QUEM SOMOS? O “quem” da primeira pergunta indica que somos gente — mas seremos gente, Pedro Granja? Os horrores de Dachau e Buchenwald me deixam incerto. Talvez sejamos apenas coisas vivas. E, neste caso a pergunta seria: que coisa, na ordem universal, é esse bichinho, que ora se revela como São Francisco de Assis, a pregar amor aos peixes em vez de pescá-los, ora como aquela Irma Griese, que num campo de concentração nazista amarrava as pernas das prisioneiras grávidas, para que morressem nas dores horrendas de um parto impossível? Que coisa é esse estranho bichinho que aprimora a inteligência até ao ponto de desintegrar o invisível átomo, e depois vai com a bomba atômica destruir cidades habitadas por dezenas de milhares de irmãos inocentes de qualquer crime?” (1)

            Setenta anos depois desse prefácio, em novembro de 2017, persiste a dúvida para muitas pessoas quanto à espécie a que pertencemos: o Homo sapiens, pelas ocorrências sinistras e de grande selvageria, em todos os quadrantes do nosso planeta, que assustam e abalam a fé.

            O mundo está em revolvimento. Em todo os lugares, em cada pedacinho de chão, as catástrofes naturais deixam marcas de dor, sangue e morte, num constante convite à nossa transformação íntima.

             Os atacantes solitários ceifam vidas numa rapidez vertiginosa, parecendo que o acaso comanda nosso destino, em extremo abandono, como no massacre recente, no show country em Las Vegas, nos EUA, em 1º/10/2017, com 57 mortos e 527 feridos. A tragédia já é considerada o maior ataque a tiros da história do país, comprovando a fragilidade humana.

             Somos frágeis, e há um fio tênue entre a vida e a morte. Não sabemos em que momento, nem como se dará nosso desligamento da existência.

             Porém, “tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de colher”. (2)

             Deus regula, controla tudo. Toda a harmonia existente no Universo pertence a Deus, como afirmou Jesus: “Não há um fio do vosso cabelo que caia sem que Deus queira”, demonstrando que, nas mínimas coisas, Deus tem suas leis soberanas em ação. Do átomo ao Universo, nada escapa ao controle divino. Todas as coisas que acontecem e acontecerão têm a Sua aquiescência.

            Allan Kardec, pensando na fragilidade humana e em seu destino inflexível, perguntou às entidades sublimadas, nas seções hebdomadárias do Espiritismo nascente:

            “Pode um homem mau, com o auxílio de um mau Espírito que lhe seja dedicado, fazer mal ao seu próximo?

             Ao que recebeu como resposta, de forma categórica, sem deixar dúvidas:

             “Não; Deus não o permitiria”. (3)

             Em toda ocorrência, por menor que seja o acontecimento, há um propósito que nos escapa à análise. O acaso não comanda a vida. A vida é construção individual. Não há acaso, sorte, azar, sobrenatural ou milagre.

         “Deus não dá cópias. Dos pés à cabeça e de braço a braço, cada criatura é um mundo por si, gravitando para determinadas metas evolutivas, em órbitas diferentes”. (4)

            O Espírito Humberto de Campos, por meio da psicografia sublimada de Chico Xavier, escreveu em 23 de agosto de 1935:

           “A decifração dos enigmas das nossas existências está em nós mesmos. Apesar do destino inflexível, há uma força em nós que independe dele, como origem de todas as nossas ações e pensamentos. Somos obreiros da trama caprichosa das nossas próprias vidas”. (5)

            Essa força magnética, inerente do Espírito, a que se refere Humberto de Campos, que independe do destino é a fé, a vontade de querer, que nos impulsiona em direção ao ideal e às metas superiores.

            Reajustemos os nossos hábitos nas relações com o nosso próximo, na certeza de que ele é o nosso objetivo principal de ser feliz.

            A autoeducação para aquisição de hábitos salutares se tornou urgente na vida de relação. Saber, fazer e ser. Esse é o roteiro para a felicidade integral. Saber é o primeiro passo, mas o indivíduo só conhece aquilo que faz. Saber sem fazer é engodo, é retórica da vaidade. Somos aquilo que praticamos, portanto, eduquemos os nossos sentimentos em direção à caridade. A prática do bem, fazendo a felicidade dos outros, atenuará essa nossa fragilidade e será um escudo que nos defenderá de tudo nesta pequena jornada.

Muita paz!       

 

Dados bibliográficos:

1 - Afinal, quem somos? - Pedro Granja – Prefácio - Edicel – 9ª edição.

2 - A Bíblia Sagrada – João Ferreira de Almeida – Eclesiastes, cap.3

3 - O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Parte 2ª - capítulo IX - Questão 551. Feb.

4 - Rumo Certo – Emmanuel – Chico Xavier – Lição 47 – Feb.

5 - Crônicas de Além-Túmulo, pág. 71 – Humberto de Campos – Chico Xavier - Feb

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