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Artigo do Jornal: Jornal Setembro 2017

Sobre o autor

Itair Ferreira

Itair Ferreira

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       O progresso sempre existiu. O destino do homem é evoluir, tanto na Terra como em todo o Universo. A evolução dos mundos depende da evolução dos seres que os habitam. O progresso é lei de Deus.

       Pesquisando a História, remontando aos tempos primitivos, constatamos a considerável evolução da humanidade.

Olhando um pouquinho para trás, verificamos que há duzentos anos o transporte era feito em lombo de animais e em navios à vela; a indumentária era artesanal, pois a máquina de costura só foi inventada em 1846, por Elias Howe, um norte-americano de Massachusetts, e patenteada por Isaac Singer, em 12 de agosto de 1851.  

Os móveis e utensílios até ao terceiro quartel do século XIX eram fabricados individualmente, de forma artesanal, até sua produção em série criada por Michael Tonet, em Viena, no ano de 1853, graças à descoberta da máquina a vapor. A vacina tornou-se uma realidade no século XX, apesar de sua invenção por Edward Jenner, no ano de 1798. Não existia anestesia. As intervenções cirúrgicas eram feitas sem abolir a dor até ao final do século XIX, quando a anestesia foi utilizada por dois dentistas norte-americanos: Horace Wells e William Thomas Green Morton.

       Há pouco mais de cem anos a energia elétrica começou a ser utilizada; em 1876, Alexander Graham Bell inventou o telefone; em 1879 a lâmpada incandescente foi inventada por Thomas Edison, iluminando o mundo; os antibióticos só foram conhecidos a partir da invenção da penicilina, por Alexander Fleming, utilizando-a pela primeira vez em 6 de agosto de 1942, em Harry Lambert, injetando-lhe o antibiótico, no fluido espinhal, para curar uma meningite; os primeiros automóveis foram fabricados em 1885, por Gottlieb Daimler e Karl Benz; o avião foi inventado em 1906, por Alberto Santos Dumont.

       Em 1920 surge o rádio; em 1926, a televisão; em 1943 Allan Turing constrói com sua equipe o “Colossus”, o primeiro computador; e, há pouco mais de cinquenta anos, passamos a conviver com a tecnologia espacial, com a ciência atômica e com a molecular, e, por fim, Tim Berners-Lee, em 1989, cria a internet (WWW – World Wide Web), rede de alcance mundial, tornando o mundo uma aldeia, interligando todos os recantos do planeta.

Por esse pequeno retrospecto, concluímos que o momento atual é de evidente progresso e de transformação em todas as áreas, em todos os seus aspectos, menos no campo da moral. Essa defasagem entre o conhecimento e a moral constitui o grande desafio da sociedade moderna. O homem tecnológico precisa auscultar o seu mundo interior e criar espaço para a solidariedade. Treinar o bem, para tornar-se bom. Apesar do avanço em saber, o indivíduo continua deixando-se levar pelo orgulho e pelo egoísmo, os dois gigantes da alma que impedem o pleno progresso.

Há 160 anos, as entidades sublimadas responderam a Allan Kardec, de uma forma como se fosse hoje, a sua pergunta: “— Por que indícios se pode reconhecer uma civilização completa?”

“ — Reconhecê-la-eis pelo desenvolvimento moral. Credes que estais muito adiantados, porque tendes feito grandes descobertas e obtido maravilhosas invenções: porque vos alojais e vestis melhor do que os selvagens. Todavia, não tereis verdadeiramente o direito de dizer-vos civilizados, senão quando de vossa sociedade houverdes banido os vícios que a desonram e quando viverdes como irmãos, praticando a caridade cristã. Até então, sereis apenas povos esclarecidos, que hão percorrido a primeira fase da civilização”. (1)

Precisamos pensar mais no nosso próximo, ter mais interesse em sua vida, vê-lo como igual a nós, com direito à vida, à liberdade e à felicidade, porque se não tivermos compaixão pelos outros, jamais poderemos ser felizes. Este é o ensinamento de Jesus, nesta parábola:

“Porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era forasteiro e me hospedastes; estava nu e me vestistes; preso e fostes ver-me. Então perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”. (2)

“Pequeninos irmãos” a que Jesus se refere na parábola de alto valor moral, como todas as histórias ensinadas por Ele, são aqueles que estão, urgentemente, precisando de nós.

Todos nós precisamos de apoio e de respeito. Ninguém merece crítica, pois ninguém é igual; todos temos características diferentes, como bem comprova o DNA. A vida é uma escola.

Precisamos respeitar a etapa evolutiva de cada criatura em todas as gradações de sua existência: nas manifestações religiosas, nos pensamentos diversificados, nas atitudes errôneas, nos caminhos tortuosos, porque o erro que não cometemos hoje, já o fizemos em nosso passado delituoso.

Emmanuel, em 1943, ao prefaciar o livro Nosso Lar, do Espírito André Luiz, já sabendo de antemão da crítica preconceituosa que o livro receberia, assim se expressou:

“Os que colhem as espigas maduras não devem ofender os que plantam a distância, nem perturbar a lavoura verde ainda em flor”. (3)

Muita paz!

 

Dados bibliográficos:

1 – O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Parte 3ª, capítulo VIII, Questão 793 – Feb.

2 – A Bíblia Sagrada – João Ferreira de Almeida – Mateus, 25, 35 a 40.

3 – Nosso Lar – Espírito André Luiz – Francisco Cândido Xavier – Prefácio de Emmanuel – Feb.

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