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Artigo do Jornal: Jornal Setembro 2017
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Rosana liga para Adriana e diz: “- Colega, você precisa ir no Centro Espírita Samuel de Jesus, que ando frequentando no bairro da Cachoeirinha. Lá é massa!” “-É mesmo, amiga?” Pergunta a interlocutora. “-Mas, por quê? O que tem de bom lá? É a vibração?”.

Rosana, meio que hesitante, diz: “-Não sei, me sinto bem lá...” Insistindo Adriana. “-Já sei. Lá tem boas palestras? O ambiente é confortável? É bonitão, pomposo? O passe é poderoso?”

Com a voz miúda, Rosana fala: “-Não, Adriana, é que lá me senti acolhida. “

Esse fictício, mas possível diálogo, reflete algo que não vai bem. Uma percepção, apenas. As casas espíritas deveriam ter um selo de qualidade. Um selo vinculado à sua capacidade de acolhimento. Algo que identificasse e estimulasse as casas espíritas a desenvolver o envolvimento fraterno em relação com os seus frequentadores.

Por óbvio que boas palestras, instalações adequadas, oferta de serviços como evangelização e passe são todos itens relevantes, mas precisamos de casas espíritas reconhecidas pela sua amorosidade.

Principalmente em casas maiores, nas quais o apego às normas, o malfadado burocratismo, tudo isso gera um ambiente coercitivo, de vigilância, pouco fraterno e com excesso de formalismo.

Vê-se, nesse sentido, pessoas na recepção amargas, enchendo os que chegam de questionamentos, exaltando regras de roupas e de silêncio, lembrando o ambiente da caserna, a feição de um sentinela.

Da mesma forma, pessoas que chegam com suas questões mediúnicas se veem julgadas e interrogadas, de forma que o atendimento fraterno se converte em um confessionário, com desconfianças mil.

Lidar com o público, que chega e que já está, cada um com a sua visão daquela organização, com seus graus de comprometimento, limitações e demandas, é uma arte. Mas essa dificuldade não pode nos fazer perder a amorosidade, na lembrança de como os discípulos de Jesus serão reconhecidos.

Ordem... disciplina... regras... conceitos que não são absolutos e que devem ser sopesados diante da necessidade de receber bem quem chega e dialogar com quem fica, para que a casa de estudo e aprendizado também seja uma casa de amor e compreensão.

Desse modo, proponho um selo de certificação das casas espíritas, aposto de forma visível na entrada, para que a pessoa que ali chegue saiba que será tratada realmente como um irmão. Um alerta para que não sejamos engolidos por coisas ensimesmadas e esqueçamos que a casa espírita existe para os espíritos, de cá e de lá.

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