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Artigo do Jornal: Jornal Abril 2017

Sobre o autor

Itair Ferreira

Itair Ferreira

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       Há, precisamente, cento e sessenta anos, em 18 de abril de 1857, foi publicado O Livro dos Espíritos, como o marco inicial do Espiritismo, trazendo informações da vida em suas mínimas particularidades, deixando o mundo atônito.

       Organizado pelo professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, que humildemente utilizou o pseudônimo de Allan Kardec para não despertar interesse na leitura da obra pelo seu nome, porque era muito conhecido como pedagogo, discípulo de Pestalozzi, e também porque nos frontispícios de importantes obras biobibliográficas estavam inscritas H.L.D Rivail.

       Kardec, o codificador do Espiritismo, definido pelo astrônomo Camille Flammarion como “o bom senso encarnado”, com humildade e verdade integrais, afirmou:

“O Espiritismo é obra dos Espíritos. Eu vi, observei, coordenei e procuro fazer compreender aos outros aquilo que compreendo; esta é a parte que me cabe. Diz-se: a filosofia de Platão, de Descartes, de Leibniz; nunca se poderá dizer: a doutrina de Allan Kardec; e isto, felizmente, pois que valor pode ter um nome em assunto de tamanha gravidade? O Espiritismo tem auxiliares de maior preponderância, ao lado dos quais somos simples átomos.” (1)

       O Espiritismo, a Terceira Revelação da Lei de Deus, ditado pelos Espíritos Superiores e coordenado pelo Espírito da Verdade, anteviu muitas descobertas da ciência.

Algumas descobertas na época ensaiavam os primeiros passos. Por exemplo: o livro A Origem das Espécies por meio da seleção natural, de Charles Darwin, fruto de suas pesquisas nas ilhas Galápagos, no Equador, e pesquisas de Alfred Russel Wallace, feitas na Amazônia.

Darwin publicou o seu livro em 24 de novembro de 1859, na Inglaterra, com a autorização de Wallace, que renunciou bondosamente à sua autoria pois chegara às mesmas conclusões.

Outra grande descoberta foi a de Gregor Mendel, considerado o pai da genética, que registrou seus experimentos com as ervilhas em seu jardim do mosteiro de Brno, cidade da República Checa, em 8 de fevereiro de 1865, época esta que nem mesmo a palavra genética existia. Ela foi cunhada por William Bateson, em 1905.

       Constatamos, assim, que a teoria da origem das espécies, de Darwin, surgiu dois anos depois da chegada do Espiritismo, e a revolução genética do estudo sobre hereditariedade, de Mendel, apareceu oito anos depois.

       Os Espíritos superiores, respondendo à pergunta de Kardec sobre a constituição da matéria, assim se expressaram:

       “A matéria existe em estados que ignorais. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil, que nenhuma impressão vos cause aos sentidos. Contudo é sempre matéria. Para vós, porém, não o seria.” (2)

       Somente no ano de 1905, Albert Einstein afirmou, usando a equação E=mc2, que a matéria é um condensado de energia, sendo a energia matéria em estado diferente.

       As Entidades sublimadas responderam também sobre a forma das moléculas:

       “As moléculas têm uma forma, porém não sois capazes de apreciá-la.” (3)

       Somente em 1911, o químico Ernest Rutherford conseguiu provar que o invisível átomo é um universo em miniatura, composto de um núcleo, juntamente com carga positiva próton e carga elétrica nula, nêutron, e com elétrons girando em velocidades impensadas.

       Informaram também os Entes superiores que não existe vácuo: “O que te parece vazio está ocupado por matéria que te escapa aos sentidos e aos instrumentos”. (4)

       E continuam as revelações espirituais a mancheias: De O Livro dos Espíritos surgiram outros quatro livros, formando o pentateuco kardequiano, antecedendo e impulsionando os cientistas às descobertas científicas, porque a ciência não evolui, os cientistas é que evoluem. “A lei natural é a lei de Deus.” (5)

       Na progressividade da doutrina, as revelações continuaram. No livro Missionários da Luz, publicado em 13 de maio de 1945, o Espírito André Luiz descreve, em minúcias, um processo de reencarnação. Os leitores ficam estupefatos ante as informações científicas, não descritas pela ciência, por se tratar de matéria invisível, mostrando como se dá a fecundação do óvulo pelo espermatozoide, na trompa de falópio.

       Há um momento, no livro, em que o instrutor Alexandre, colaborando com os Espíritos Construtores, impulsionando magneticamente o espermatozoide para o óvulo, toca-o com o seu dedo para a divisão da cromatina, que é a estrutura biológica onde residem os genes. Ninguém conhecia a estrutura química da cromatina. O próprio André Luiz (Carlos Chagas), que foi grande cientista, indicado quatro vezes para o Prêmio Nobel por suas pesquisas de uma doença parasitária causada pelo protozoário Trypanozoma cruzi e transmitida principalmente pelo inseto barbeiro, na doença que ficou conhecida como Doença de Chagas, confessa seu desconhecimento.

Assim André Luiz escreve: 

“Sempre sob o influxo luminoso-magnético de Alexandre, o espermatozoide vitorioso prosseguiu a marcha, depois de atravessar a periferia do óvulo, gastando pouco mais de quatro minutos para alcançar o seu núcleo. Ambas as forças, masculina e feminina, formavam agora uma só, convertendo-se ao meu olhar em tenuíssimo foco de luz. O meu orientador, absolutamente entregue ao seu trabalho, tocou a pequenina forma com a destra, mantendo-se no serviço de divisão da cromatina, cujas particularidades são ainda inacessíveis à minha compreensão, conservando a atitude do cirurgião seguro de si, na técnica operatória. Em seguida Alexandre ajustou a forma reduzida de Segismundo, que se interpenetrava com o organismo perispirítico de Raquel, sobre aquele microscópico globo de luz, impregnado de vida, e observei que essa vida latente começou a movimentar-se.” (6)

       As três ideias que mais brilharam no século XX foram: o átomo, o byte e o gene.        No dia 29 de dezembro de 1959, Richard Feynman, que receberia o Prêmio Nobel de Física em 1965, pelos seus trabalhos em física teórica, apresentou-se perante a elite dos físicos norte-americanos. Aos 41 anos, ele já gozava de imensa notoriedade, encarnando aos olhos de todos um espírito científico fora do comum. Feynman é considerado o Pai das Nanotecnologias. Surpreendeu o auditório com o seu discurso intitulado: Há muito espaço lá embaixo.

       “Lá embaixo” ele se referia à miniaturização da matéria em uma busca infinita. A miniaturização descrita por André Luiz estava sendo elucubrada, agora, pela ciência.

       No ano de 1981, Gerd Binning e Heinrich Rohrer inventaram um instrumento denominado microscópio de tunelamento. É o primeiro instrumento que permite tocar, com sua ponta, um único átomo de cada vez, e ao mesmo tempo deslocá-lo à vontade. A ponta do microscópio de tunelamento é tão fina que permite realmente tocar um único átomo e até mesmo construir, átomo a átomo, arquiteturas inéditas. Essa ponta torna-se o prolongamento do dedo do cientista. (7)

       Muitas descobertas estão por vir. Aguardemos o progresso do invisível nas revoluções científicas. Muitas surpresas maravilhosas surgirão no século XXI A era dos sentimentos.

Muita paz!

 

Notas bibliográficas:

1 O que é o Espiritismo, Allan Kardec, 23ª edição, pág. 120, feb.

2 O Livro dos Espíritos Allan Kardec questão 22 Feb.

3 Idem, ibidem, questão 34.

4 Idem, ibidem, questão 36.

5 Idem, ibidem, questão 614.

6 Missionários da Luz, André Luiz, F.C. Xavier, 33ª ed., pág.214, feb.

7 Nanociências, A Revolução do Invisível, Christian Joachim e Laurence Plévert, Zahar.

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