pteneofrdeites
Artigo do Jornal: Jornal Março 2017

Sobre o autor

Cláudio Sinoti

Cláudio Sinoti

Compartilhar -

A vivência familiar é fundamental para a formação psicológica e espiritual do indivíduo, pois na condição de seres gregários, sociáveis, necessitamos de uma estrutura básica que nos auxilie na estruturação da personalidade, preparando para uma vivência mais ampla na sociedade. No entanto, ao observar os panoramas da atualidade, nos quais ainda se apresenta a violência em grande escala, os desvios ético-morais, os alarmantes índices da depressão e das psicopatologias em geral, dentre outros fatores, constatamos que a família não está cumprindo a função que lhe está destinada, pois quando o egoísmo predomina no organismo social, é sinal que os laços de família se encontram fragilizados1.

E dentre as funções da família para promoção do indivíduo, podemos destacar:

- Estimular o desenvolvimento da afetividade, de forma saudável e cada vez mais ampla: o amor que sai do círculo familiar e encontra a humanidade;

- Auxiliar a construção da autonomia, libertando o indivíduo de qualquer tipo de dependência;

- Propiciar uma educação pautada no altruísmo, que promova o ser além das fronteiras do próprio ego;

- Proporcionar o desenvolvimento da consciência de espírito imortal que somos;

São objetivos desafiadores, o sabemos, e por isso mesmo devem ser encarados com responsabilidade. O grande problema é que, na maioria das vezes, os indivíduos não se preparam adequadamente para o mister, gerando conflitos que interferem negativamente na psicologia individual do ser, e consequentemente na sociedade.

No desenvolvimento da afetividade, o grande desafio da família é o aprendizado do amor. Deve iniciar-se antes mesmo da gestação, quando o casal é convidado a uma convivência amorosa entre si, respeitando as individualidades exercício do amor próprio e criando condições propícias para um lar acolhedor. Quanto mais o espírito que reencarna se sinta acolhido e respeitado, mais os laços de família se fortalecem.

O estímulo à autonomia a capacidade de autogerir-se deve ser parte do processo educacional da família. O psicólogo James Hollis enfatiza a questão, dizendo que: “a tarefa psicológica mais importante do pai\mãe não é facilitar as coisas, mas preparar a passagem para a separação total, para aquele estado subsequente que chamamos de idade adulta”. Quando os filhos permanecem dependentes dos pais, seja no aspecto econômico ou psicológico, o processo educativo não atingiu seu fim. Elemento importante para isso é a disciplina que se impõe no lar, desde a divisão de tarefas até a disciplina moral que deve se exercitar. Muitos pais sentem dificuldades no aspecto disciplinar, como se dar responsabilidade aos seus filhos significasse falta de amorosidade. Em verdade, dá-se o oposto, pois não há gesto mais amoroso que preparar os filhos para os embates naturais da existência.

Sendo o egoísmo a principal chaga da humanidade, a família deverá estimular o altruísmo. Ao invés da vivência e das buscas de realização pautadas no ego, e que se traduzem normalmente no “ter, possuir, controlar etc.”, a educação familiar deve preparar a criança para “ser”, não para ser “alguém no mundo”, como convencionalmente se acredita importante, mas ser alguém que possa auxiliar a transformação do mundo em que vivemos. O desapego, portanto, deve fazer parte da pauta educacional, sendo ideal que tenha por base o comportamento saudável dos pais, que devem centrar seus esforços na estruturação de personalidades saudáveis e conscientes, ocupados mais em preparar um ambiente para as conquistas internas do ser do que as transitórias glórias do ego, que muitas vezes cobram um alto preço.

E talvez todas essas questões devam convergir para a tarefa mais sublime: auxiliar o ser no seu desenvolvimento espiritual. Não se trata do desenvolvimento dogmático da religião, simplesmente, mas da construção de um ambiente propício à religiosidade, onde o ser aprimora-se no vínculo consigo mesmo, com o seu próximo e com Deus. O exemplo dos pais passa a ser a estrada segura para os filhos trilharem, e a relação com Deus a religiosidade interna dos participantes da família possibilitará que ela cumpra os nobres ideais que lhe estão destinados. E como nos ensina a Benfeitora Joanna de Ângelis2:

“O ser humano é estruturalmente constituído para viver em família, a fim de desenvolver os sublimes conteúdos psíquicos que lhe jazem adormecidos, aguardando os estímulos da convivência no lar, para liberá-los e sublimar-se”.


1 Vide Q. 775 de O Livro dos Espíritos

2 Constelação Familiar. Divaldo Franco/Joanna de Ângelis. Leal Editora

Compartilhar
Topo Cron Job Iniciado