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Artigo do Jornal: Jornal Março 2017

Sobre o autor

Fátima Moura

Fátima Moura

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Li uma frase do psiquiatra, educador e escritor Içami Tiba, recentemente desencarnado, que diz: “a família é, sempre foi, e continuará sendo o principal núcleo afetivo de qualquer ser humano”.

       É na família que se constroem valores, que se aprende sobre convivência, que recebemos as primeiras noções de sociabilidade, sendo os pais os nossos primeiros educadores.

       É a família uma representação em escala menor da sociedade, de um modo geral. Se não aprendermos a administrar nossos conflitos no seio familiar, dificilmente o faremos em nossos relacionamentos interpessoais. E isso é fato.

       Quando lecionava para jovens e adolescentes, tanto em escolas públicas quanto privadas, muitos conflitos que desembocavam na escola tinham sua origem em famílias mal estruturadas, que infelizmente evitavam colaborar com a Instituição, a fim de tratar o problema em suas raízes.

       Se alguns pais eram chamados à escola, alegavam estar muito chateados com o fato, pois reconheciam seu filho vítima de intolerância por parte dos professores. Nas reuniões, o número de faltosos excedia a média e estavam sempre alegando estar muito atarefados, sem tempo para se ocupar com os problemas surgidos na escola, pedindo que eles fossem resolvidos dentro da comunidade escolar.

       Filhos de pais desatenciosos são, por sua vez, eternos rebeldes sem causa. Desajustados, violentos e barulhentos por natureza, necessitam maior atenção e cuidado de mestres e educadores, sendo sempre classificados como “alunos problema”.

       Para nós, que estudamos a Doutrina Espírita, a família se apresenta sobre duas concepções distintas: a família física, constituída por laços consanguíneos, mas nem sempre afins, e a família espiritual, formada pelos espíritos que já estiveram ligados a nós, pais, filhos, companheiros, que remontam de encarnações passadas.

       É da responsabilidade dos pais cuidar e preparar os filhos para uma vida saudável em sociedade mas, o que percebemos é que muitos pais não oferecem aos filhos, nenhum contato com a religiosidade. Preferem que cresçam, se tornem adultos e só aí escolham o melhor caminho a seguir, o que se torna um grande erro de perspectiva familiar.

       Felizmente para nós, estudantes da Doutrina Espírita, muitos jovens estão procurando no evangelho de Kardec a resposta para seus questionamentos e isso é um sinal de que esses espíritos que estão chegando à Terra estão sequiosos de novas e urgentes descobertas.

       Durante muitos anos atuei como evangelizadora de jovens e, para que eles se sentissem mais integrados à Casa Espírita, criamos um grupo de teatro, um grupo de música e a oportunidade de passeios semestrais, que sabíamos agradar demais o grupo de mocidade.

       Em um dia que já se perde no tempo, ouvi de um dirigente de mocidade que tudo aquilo era apenas um atrativo e que ele duvidava de sua validade. Respondi ao companheiro que não importava se o jovem viesse à Casa Espírita, a princípio, por causa dessas atividades, mas que se integrasse ao estudo sério da Doutrina era o que nós queríamos. Acreditávamos que os passeios, a música, o teatro e atividades sociais, tal como arrecadação de alimentos e auxílio na evangelização nas comunidades carentes, atuavam como auxiliares e estimuladores de sua participação entre seus companheiros de ideal, e era isso que realmente fazia a diferença.

       Acredito que o jovem da atualidade está buscando a cada dia melhor entendimento espiritual e, se obtiver a resposta de questões básicas como “quem somos”, “de onde viemos” e “para onde vamos”, terá a oportunidade de avaliar melhor suas ações e a repercussão delas em sua vida, e a família tem um papel preponderante em todas essas escolhas.

 

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