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Artigo do Jornal: Jornal Janeiro 2017
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“Segue-me, e deixa que os mortos enterrem seus próprios mortos” (Mateus 8:22).

A narrativa retratada por Mateus deve ser analisada com profundidade, sem que se deixe de lado o fundamento principal de seu ensinamento. O mestre Jesus nos fatos mais simples da vida cotidiana do apostolado, nunca privou os que estavam à sua volta do aprendizado. No caso em epígrafe, não foi diferente.

Assim como Moisés “preparou o terreno” para a vinda de Jesus e suas revelações, o Mestre também já encaminhava a chegada do espiritismo como prometido. Ao estudarmos o novo testamento devemos analisá-lo à luz da Doutrina Espírita. Muitos “enxergam” o tema de forma superficial, acreditam que o Doce Rabi da Galileia teria menosprezado o respeito que é devido ao funeral, principalmente dos entes queridos. Tal afirmativa seria um contrassenso a todo o ensinamento prestado por Ele.

Imortalidade da alma

Um dos fundamentos do espiritismo é a imortalidade da alma. O espírito quando desencarna, abandona o veículo que se utilizou na terra regressando à pátria espiritual (questão 149 em O Livro dos Espíritos) para reprogramar, via de regra, uma nova incursão no corpo físico, dando continuidade à sua evolução espiritual através das sucessivas reencarnações. Ao desencarnar, o espírito é amparado pelos desencarnados que lhe são simpáticos, ou seja, espírito ao desencarnar fica sob os cuidados de outro espírito no mister da sua recuperação. Na questão 326 em O Livros dos Espíritos, os benfeitores espirituais esclarecem ao insigne codificador que o espírito, já desenvolvido em certo grau de perfeição, não se importa com as honras prestadas ao seu despojo mortal. Continuam ainda os benfeitores, agora na questão 329, que o respeito instintivo do homem pelos mortos é um efeito da intuição da existência da vida futura. Entretanto, o que deve ser analisado é o excesso dos rituais funerais inclusive quanto ao culto exagerado no local de sepultamento do desencarnado. Recordamos Humberto de Campos em o livro Relatos da Vida, no Capítulo intitulado “Uma Campanha Diferente”, em que o autor relata um pai que gastou imensa fortuna na construção de um mausoléu para abrigar os restos mortais da filha querida que havia cometido suicídio por conta de uma desilusão amorosa. O pai passou os demais anos de sua existência cultuando aquele ambiente até desencarnar. Ao despertar do período de perturbação, se reconhece no local que construiu para filha na esperança do reencontro feliz, porém, lá nada encontrou do que esperava. Aconselhado pelo seu benfeitor a se afastar daquele local, reconhece a filhinha suicida, reencarnada ainda criança, como filha daquele que havia despedaçado seu coração. O pai então chega à conclusão que o dinheiro e o tempo empregados na construção da sepultura poderiam ser destinados de uma forma mais útil, saciando a fome dos mais necessitados, por exemplo.     

Viver da melhor maneira possível

Emmanuel, comentando o tema em o livro Fonte Viva, psicografia de Francisco Candido Xavier, editado pela FEB, informa que Jesus não recomendou ao aprendiz que deixasse aos cadáveres o cuidado de enterrar os cadáveres, e sim aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos, enfatizando que há uma grande diferença, pois, o cadáver é carne sem vida, enquanto um morto é alguém que se ausenta da vida. Informa ainda o autor espiritual que muita gente mergulha em sepulcros de ouro, de vício, de amargura e ilusão, vitimados pela tentação da riqueza, dos hábitos perniciosos ou muitas vezes prostrados pelo desalento. Podemos entender desta maneira que Jesus fazia um alerta àqueles que, muito embora ainda no corpo físico, desfrutando de plena força vital inclusive, vivem como verdadeiros “cadáveres” pois entregues às viciações, acomodados com a posição que desfrutam ou por fim vitimados pelo desânimo. Há ainda aqueles que dedicam valioso tempo às futilidades de maneira irresponsável, não aplicando de maneira salutar e útil o seu precioso tempo. É preciso que busquemos a esperança na vida com as boas práticas. Salienta Emmanuel que devemos dar algo de nós mesmos, em favor dos outros, pelo muito que os outros fazem por nós, emendando: “Se encontrares algum cadáver, dá-lhe a bênção da sepultura, na relação das tuas obras de caridade, mas tratando-se da jornada espiritual, deixa sempre aos mortos o cuidado de enterrar os seus mortos”. 

Fontes bibliográficas:

- Dias, Haroldo Dutra. Mateus, capítulo 8, O Novo Testamento/tradução de Haroldo Dutra Dias. 1. Ed. 2. Imp. Brasília: FEB, 2013.

- Emmanuel (Espírito). O Evangelho Por Emmanuel Comentários Ao Evangelho Segundo Mateus. p. 313,314 Acorda e ajuda / pelo Espírito Emmanuel; [psicografado por] Francisco Cândido Xavier. 1. ed. 2. Imp. Rio de Janeiro: FEB, 2016.

- Kardec, Allan, 1804-1869. O Livro dos Espíritos / Allan Kardec; tradução de Albertina Escudeiro Sêco. 5. ed. Rio de Janeiro: CELD, 2011.

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