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Jesus exorta os nossos corações ao bem a todo momento

Um menino aparentando dez anos de idade entrou numa sorveteria, sentou-se em uma das mesas e perguntou à garçonete:

– Quanto custa um sorvete?

– Três reais.

Tirou algumas moedas do bolso, que começou a contar bem devagar, para não errar. Passara a manhã inteira catando latinhas na rua, e aquele era todo o dinheiro que conseguira.

– Quanto custa o picolé mais barato?

A essa altura, outras pessoas aguardavam atendimento, e a funcionária começava a perder a paciência.

– Dois reais! – respondeu, secamente.

A criança recontou as moedas e disse:

– Eu vou querer esse mesmo de dois reais.

Após alguns minutos, a moça trouxe o pedido e a comanda, que colocou na mesa e foi atender outros clientes.

O garoto terminou o picolé, pagou a conta no caixa e saiu. Na mesa onde estava, deixou um real, todo em moedas, em cima de um texto escrito num guardanapo, que a mulher leu sentida e emocionada:

- Esta gorjeta é para a senhora. É pouco, mas é de coração. Deus te abençoe!

Com isso, descobriu que o picolé mais barato foi comprado para que pudesse separa a gorjeta dela, mesmo tendo sido tão ríspida.

Não foi por acaso que Mateus registrou em seu relato bíblico um pedido muito especial do líder nazareno: "Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas".

Todavia, para a sorte de criaturas crescidinhas como nós, não se trata de um apelo apenas em favor das crianças, como nos ensina Kardec em O Evangelho segundo o Espiritismo, mas também da "criatura adulta ainda em infância intelectual: os fracos, os escravos, os viciosos". É um convite a todas as almas de boa vontade, para serem fortalecidas, amparadas, consoladas, esclarecidas e medicadas com seu exemplo de amor e caridade.

O amigo Jesus nos incentiva a fazer para o outro aquilo que cada um deseja receber. Mas como estamos nos comportando: praticando ou ignorando as lições evangélicas? Costumamos deixar ou receber bilhetes como esse? Estamos nos identificando mais com a atendente da sorveteria ou o menino, que dividiu com a funcionária o pouco que tinha?

Na Parábola do Gazofilácio, outra dourada ilustração do Mestre, aprendemos que está “no emprego de suas forças, de sua inteligência, de seus talentos”, completamente desinteressado, o que mais agrada a Deus. O menino não ofereceu muito para agradar a garçonete, nem ficou interessado no resultado de sua boa ação. Como a viúva, deu do que lhe faria falta, “deu mesmo tudo o que tinha para seu sustento” (Marcos, 12:41). Despertou a consciência da empregada e tornou-se responsável pelos seus novos passos na vida.

Para Léon Denis, no livro O Problema do Ser, é “pela vontade que dirigimos nossos pensamentos para um alvo determinado” e “somente no acordo das boas vontades, dos corações sinceros, dos espíritos livres e desinteressados” desenvolveremos em nós os recursos necessários para ultrapassar as dificuldades de cada um e de todos.

Ouçamos o chamado do Filho de Deus e, pouco a pouco, tenhamos vontade de ser mais vezes como o menino – simples e humilde –, dando um passo atrás do outro, respeitando a condição em que nos encontramos e alimentando-nos do “leite que fortalece os fracos” servido por Jesus.

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