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Artigo do Jornal: Jornal Dezembro 2016

Sobre o autor

Itair Ferreira

Itair Ferreira

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Na tragédia Macbeth, de Wiliam Shakespeare, Lady Macbeth, após o regicídio, o assassinato do rei Duncan, da Escócia, por Macbeth, seu marido, com sua participação no plano, entrou em processos de fuga e culpa, resvalando nos labirintos da loucura.

Eusébio de Cesareia, no século IV, em História Eclesiástica, informa que Pôncio Pilatos após permitir a crucificação de Jesus, entrou em processo de medo e culpa, atirando-se num vulcão extinto, cometendo o suicídio no ano 37 d.C.

O sentimento de culpa é sempre um colapso da consciência dos atos cometidos nesta existência ou em experiências reencarnatórias passadas.

Há uma tendência no ser humano de se autocastigar, sabotando os bons momentos, não se permitindo ser feliz, expiando inconscientemente um profundo sentimento de culpa.

É necessário aproveitarmos a oportunidade de evoluir. O bem é a luz que liberta. Se a angústia nos invade tentando aprisionar-nos em suas teias, acendamos nossa luz olhando para as pessoas com os olhos cheios de amor, a fim de que o bem cresça em nós. A vida é sempre escolha.

       O agora é o momento que nos pertence. O passado é uma luz que se foi. O futuro é uma visão no ar. Quem vive o futuro é ansioso, e quem vive o passado é saudosista ou raivoso. Saudosista quando se reporta aos momentos felizes, e raivoso quando se prende aos instantes de amargura, passando a vivê-los novamente, ao que derrama na corrente sanguínea as catecolaminas, neurotransmissores, que são a adrenalina e a noradrenalina, criando um distúrbio orgânico que, com a repetição, poderá levar ao estresse, com todas as suas consequências, por causa de uma imagem impressa no nosso inconsciente, que lutamos para trazer à tona, desarmonizando nosso cosmo orgânico e, consequentemente, nossa vida.

       Procure fixar-se nos valores nobres da existência, sem se deixar confundir com as opiniões alheias nem se deixar atingir com as experiências desagradáveis que só devem servir para aquilatá-lo de possibilidades de sucesso, mostrando-lhe o valor verdadeiro da educação, que é o conjunto dos hábitos adquiridos: educar os nossos sentimentos, tendo boas atitudes em nossa vida de relação, sem nos preocuparmos.

       A preocupação é desgastante, estressante, e, como o nome mesmo diz, preocupação é a ocupação prévia da mente, é viver o depois, deixando de viver o momento. É ocupar a mente antes daquilo que imaginamos que irá acontecer, e que pode nem acontecer.

       Quantas vezes sofremos por um problema cuja solução não achamos, e, de repente, ele é resolvido sem que percebamos? Gastamos energia à toa; sofremos sem necessidade, enquanto poderíamos buscar resolver o “problema” com naturalidade, em seu tempo certo.

       Devemos determinar que nossa vida seja feita em nosso agora, sem fugas, sem medos e sem culpas. Por que devemos carregar lixo em nossa alma? É o que fazemos quando nos permitimos viver uma vida em que somos nossos próprios opressores. Desde o momento do nosso acordar, já nos condicionamos a um dia que, como dizem os jovens em sua sabedoria intuitiva, “ninguém merece!”. Olhamos para o tempo: se está nublado, será um dia triste, monótono, com maus presságios. Se tem sol, será muito calorento.

       Não faça isso com você! Ao acordar, desmembre essa palavra e veja no que vai dar: a cor dar é o que você deve fazer – dar cor ao seu dia. O dia é seu. Deus lhe proporcionou mais uma oportunidade de viver, e ela se chama presente. Valorize essa dádiva divina e comece o dia agradecendo. Não importa a aparência que esse presente tem, e sim o que você fará dele.

       Há muitos anos, fiz um mantra para despertar com otimismo. Compus com palavras da amorosa e sábia veneranda Joanna de Ângelis; com o slogan filosófico de Émile Coué, o pai da autossugestão e com versos sublimes de Maria Dolores, a doce poetisa da espiritualidade, ficando assim o texto que recito, em voz alta, ao acordar:

       Há um sol brilhando dentro de mim! A vida é bela! Eu nasci para amar! O mal que me fazem não me faz mal; o mal que me faz mal é o mal que eu faço aos outros porque me torna um homem mau! Não há morte, só há vida! Hoje, sob todos os aspectos, vou cada vez melhor! Que eu possa amar sem reclamar amor! E, não ferir, nem condenar ninguém! (1)

       Depois de repetidas experiências pude sentir o poder do pensamento e da palavra conjugados, dando-me ação positiva, impulsionando-me, com entusiasmo, para a vida.

Continuo, diariamente, declamando esse poema de louvor e agradecimento a Deus, não só ao acordar, mas a todo o instante que se fizer necessário, nos embates da existência.

       Agindo assim, você notará que seu mundo interior ficará mais “leve”, mais “aromatizado”. Aquele “peso” desaparece, não como um passe de mágica, mas sim por meio de sua escolha de ser feliz, na certeza de que nossa missão principal é evoluir e que não há um só obstáculo, que não seja necessário para o nosso crescimento moral e espiritual.

“Tudo posso Naquele que me fortalece”, afirma o apóstolo Paulo. “Tudo é possível ao que crê”, respondeu Jesus ao pai do jovem possesso (2). Nada é impossível! Nós mesmos é que limitamos nossas possibilidades nos pensamentos, palavras e atos. Quando dizemos: “não posso vencer”; “a vida é difícil”; “nunca vou conseguir sair da situação a que me encontro...”, estamos aceitando os obstáculos que surgem em nossos caminhos e nos tornando vítimas por vontade própria.

A física quântica, estudada por Albert Einstein e Niels Bohr, comprova o livre arbítrio da criatura humana, eliminando o determinismo, a filosofia fatalista que surgiu dos princípios mecanicistas de Isaac Newton, denominada reducionismo ou localizacionismo. A física quântica desvenda para nós um Universo cheio de recursos e probabilidades por meio da escolha.

Quando acreditamos que somos responsáveis por nós mesmos, procuramos construir a vida, adaptando-a aos nossos desejos e necessidades.

“Deus dá ao Espírito a liberdade de escolher e lhe deixa a inteira responsabilidade de seus atos e das consequências que estes tiverem” (3).

       Somos seres espirituais vivendo a experiência humana. Não é o corpo que possui um Espírito. O Espírito é que possui um corpo.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           

Todos os recursos para viver uma vida feliz e satisfeita, cheia de contentamento, apesar dos obstáculos com que nos deparamos, está dentro de nós, em nosso Eu transcendental, como afirmou Jesus, o Mestre Incomparável:

“Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro em vós” (4).

Muita paz!

 

Notas bibliográficas:

1 – Texto do livro do autor: Os Morfeus do Sonho, 2ª ed. Págs. 98 e 99 – Emican Editora.

2 – A Bíblia Sagrada João Ferreira de Almeida – Filipenses, 4,13 e Marcos 9,23.

3 – O Livro dos Espíritos Allan Kardec Feb – Questão.  258 a.

4 – A Bíblia Sagrada João Ferreira de Almeida – Lucas, 17, 20 e 21.

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