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Artigo do Jornal: Jornal Agosto 2016

Sobre o autor

Itair Ferreira

Itair Ferreira

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Jesus, o Cristo de Deus, após proferir o Sermão da Montanha, quando nos outorgou o código divino, num poema de beleza inenarrável a constituir-se a maior metodologia para a felicidade da criatura humana, começou a descer o monte Karun Hattin, situado ao sudoeste do lago de Genesaré, próximo à aldeia de Cafarnaum, cercado pela multidão emocionada, faminta de amor, luz, carinho e paz, atraída pelo Seu magnetismo incomparável, e logo deparou-se com um leproso que lhe disse: “Senhor, se quiseres podes purificar-me, e Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: quero, fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo da sua lepra”. (1)

       A seguir, deparando Jesus com um cego, lhe perguntou: “que queres que eu te faça?   Respondeu o cego: Mestre, que eu torne a ver; então Jesus lhe disse: vai, a tua fé te salvou, e imediatamente tornou a ver, e seguia a Jesus estrada fora”. (2)

       E aquele pai que já não suportava mais ver o filho possesso sendo jogado na água e no fogo, suplicou: “Senhor! Se tu podes alguma coisa, tem compaixão de nós. Ao que Jesus lhe respondeu: Tu dizes, se podes? Tudo é possível ao que crê”. (3)

       Relata João, o evangelista, que “o paralítico do poço de Betesda estava ali havia 38 anos, aguardando a cura. Jesus, vendo-o deitado e sabendo que estava assim, todo esse tempo, perguntou-lhe: Queres ser curado?”. (4)

       É emocionante também a decisão da mulher hemorroíssa que sofria de hemorragia por doze anos; demorou muito nas mãos dos médicos e, tendo gasto todos os seus haveres, nenhum alívio conseguira, e como ouvisse falar de Jesus, veio com a multidão atrás dele e lhe tocou as vestes, porquanto dizia: “Se eu conseguir ao menos lhe tocar nas vestes, ficarei curada. No mesmo instante o fluxo sanguíneo lhe cessou e ela sentiu em seu corpo que estava curada daquela enfermidade.

       “Jesus, conhecendo em si mesmo a virtude que dele saíra, se voltou no meio da multidão e disse: Quem me tocou as vestes? Seus discípulos lhe disseram: Vês que a multidão te aperta de todos os lados e perguntas quem te tocou? Ele olhava em torno de si à procura daquela que o tocara”.

       A mulher, que sabia o que se passara em si, tomada de pavor, veio lançar-se-lhe aos pés e lhe declarou toda a verdade. Então, docemente, Jesus lhe disse: “Minha filha, tua fé te salvou; vai em paz e fica curada da tua enfermidade”. (5)

       Nessas, como em tantas outras curas que Jesus fez, a pergunta sempre antecedia o ato, examinando a disposição de fé do doente: Queres ser curado?

       “Razão, pois, tinha Jesus para dizer: Tua fé te salvou. Compreende-se que a fé a que ele se referia não é uma virtude mística, qual a entendem muitas pessoas, mas uma verdadeira força atrativa, de sorte que aquele que não a possui opõe à corrente fluídica uma força repulsiva, ou, pelo menos, uma força de inércia, que paralisa a ação”. (6)

       “Fé, é a vontade de querer”, disse-nos Um Espírito Protetor, em Paris, em 1863:

“Se todos os encarnados se achassem bem persuadidos da força que em si trazem, e se quisessem pôr a vontade a serviço dessa força, seriam capazes de realizar o a que, até hoje, eles chamaram prodígios e que, no entanto, não passa de um desenvolvimento das faculdades humanas”. (7)

       Dr. Roberto Assagioli, criador da Psicossíntese, uma vertente da Psicologia que mostra o propósito e o significado da vida humana facilitando o autoconhecimento, diz em seu excelente livro O Ato da Vontade, que a vontade plenamente desenvolvida pode ser considerada tendo vários aspectos: a vontade forte, a vontade hábil, a boa vontade e a vontade transpessoal.

       Emmanuel escreveu sobre a vontade:

“Comparemos a mente humana espelho vivo da consciência lúcida a um grande escritório, subdividido em diversas seções de serviço.

       Aí possuímos o Departamento do Desejo, em que operam os propósitos e as aspirações, acalentando o estímulo ao trabalho; o Departamento da Inteligência, dilatando os patrimônios da evolução e da cultura; o Departamento da Memória, arquivando as súmulas da experiência, e outros, ainda, que definem os investimentos da alma.

       Acima de todos eles, porém, surge o Gabinete da Vontade.

       A Vontade é a gerência esclarecida e vigilante, governando todos os setores da ação mental”. (8)

       Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec perguntou às Entidades Sublimadas encarregadas de trazer-nos a Terceira Revelação da Lei de Deus:

       “Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações?”

       Ao que recebeu como resposta:

       “Sim, e, frequentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é a vontade. Ah! Quão poucos dentre vós fazem esforços!”

       “Não haverá paixões tão vivas e irresistíveis, que a vontade seja impotente para dominá-las?”

       “Há muitas pessoas que dizem: Quero, mas a vontade só lhes está nos lábios. Querem, porém muito satisfeitas ficam que não seja como “querem”. Quando o homem crê que não pode vencer as suas paixões, é que seu Espírito se compraz nelas, em consequência da sua inferioridade”.

       “Não há, porém, arrastamento irresistível, uma vez que se tenha a vontade de resistir. Lembrai-vos de que querer é poder”. (9)

Fé, vontade e querer, são, portanto, a mesma e única força , vestindo apenas palavras diferentes. Quando dizemos: não tenho fé!, estamos dizendo, em realidade: não quero!, não tenho vontade! Estamos enganando a nós mesmos, em nosso direito de escolha.

Muita paz!

       

Notas bibliográficas:

1 A Bíblia Sagrada João Ferreira de Almeida Mateus, 8,13.

2 Idem, ibidem Marcos, 10, 51 e 52.

3 Idem, ibidem Marcos, 9, 22 e 23.

4 Idem, ibidem João, 5, 5 e 6.

5 Idem, ibidem   Marcos, 5, 25-34.

6 A Gênese Allan Kardec Capítulo XV, item 11 Feb.

7 O Evangelho Segundo o Espiritismo Allan Kardec cap. XIX, item 12 Feb.

8 Pensamento e Vida Lição 2 Emmanuel/ Francisco Cândido Xavier Feb.

9   O Livro dos Espíritos Allan Kardec Parte 3 Q.909, 911 e 945 respectivamente Feb.

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