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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2016

Sobre o autor

Itair Ferreira

Itair Ferreira

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       Todos fomos criados iguais por Deus, simples e ignorantes, isto é, sem saber, com a missão de evoluir (1). Portanto, nenhum de nós é melhor do que qualquer outro, em hipótese nenhuma.

       Antes de acusar as pessoas por erros cometidos na criminalidade de toda espécie, pensemos no sofrimento que terão, com o remorso a incendiar-lhes o coração, pelo caminho que deliberadamente tomaram, porque a vida é sempre escolha.

       Temos sempre piedade dos deficientes físicos de todos os matizes, organizando meios para socorrê-los. Criamos entidades filantrópicas, participamos de mutirões de pessoas imbuídas dos propósitos edificantes com o fim de minorar-lhes os sofrimentos. Somos tomados de compaixão por suas dificuldades físicas que os nossos olhos veem.

       Por que não nos apiedamos daqueles outros cegos de espírito e deficientes de compreensão e entendimento? Até nas guerras e nos embates físicos existem leis e sistemas defensivos que amparam os envolvidos. Entretanto, as vítimas da ignorância são punidas pela própria vida que não lhes deu a oportunidade de melhores escolhas, proporcionando-lhes educação moral e instrução na formação de um bom caráter.

       Emmanuel, ao prefaciar o livro Nosso Lar, do Espírito André Luiz, escreveu: “Os que colhem as espigas maduras não devem ofender os que plantam à distância, nem perturbar a lavoura verde, ainda em flor”. (2)

       A vida é semelhante a uma escola, com suas gradações de níveis. Os que estão num patamar superior de ensino, não devem ofender os que se encontram num degrau inferior, porque sabem que eles serão promovidos para a série seguinte. Se ficarem reprovados, mesmo assim, terão as chances de recuperação até atingirem as etapas finais e se diplomarem como os demais alunos mais adiantados.

       “Deus criou iguais todos os Espíritos, mas cada um destes vive há mais ou menos tempo, e, conseguintemente, tem feito maior ou menor soma de aquisições. A diferença entre eles está na diversidade dos graus da experiência alcançada e da vontade com que obram, vontade que é o livre-arbítrio. Daí o se aperfeiçoarem uns mais rapidamente do que outros, o que dá aptidões diversas”. (3)

       As Entidades Sublimadas informaram, também, que “o moral e a inteligência são duas forças que só com o tempo chegam a equilibrar-se” (4) e, que não há carência de senso moral, há falta de desenvolvimento, “porquanto o senso moral existe como princípio, em todos os homens. É esse senso moral que dos seres cruéis fará mais tarde seres bons e humanos”. (5)

       O grande escritor e estilista Machado de Assis, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, disse certa feita: “a ocasião não faz o ladrão, apenas propicia o roubo. O ladrão já nasce feito”.

       Hoje a neurociência comprova que o cérebro não é uma tabula rasa. Já nascemos com uma bagagem imensa de experiências insculpidas em nossa consciência, que é o espírito imortal, na posse da nova roupagem de neurônios e células gliais.

       Mas, como podemos ter a certeza de que não há registros de erros em nós que nos propiciem a atração por caminhos tortos, já que somos frutos de nós mesmos?

Jesus, no episódio da mulher adúltera, disse: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro que lhe atire pedra”. (6)

O Espírito Hilário Silva conta em seu livro Almas em Desfile uma história que vem ilustrar esse tema:

O Sr. Zenóbio de Carvalho, um comerciante, fazia uma viagem num transatlântico para os Estados Unidos, acompanhado de sua filhinha de quatro anos.

Todas as manhãs e todas as tardes ia ao tombadilho onde compulsava livros espíritas. Era cavalheiro dos mais simpáticos. Prestativo. Cordial. Sempre um sorriso bom, distribuindo coragem.

O professor Marques Botelho, um dos passageiros, sentia-se incomodado com semelhante atitude do negociante. Acompanhava Zenóbio lendo Hemingway, em atitude de afronta.

Na época do desembarque, o educador Botelho esclareceu seu incômodo:

Sinto ojeriza especial por tudo quanto se relacione com Espiritismo...

Ora, ora, mas por quê? Indagou Zenóbio, humilde.

E o professor explicou que havia vinte e dois anos fazia um curso de especialização na Argentina, quando lhe foi roubado o precioso anel de brilhantes, lembrança de sua mãe. Um amigo viu o vulto do ladrão que desapareceu numa construção próxima, onde se praticava sessões espíritas.

“O negociante Zenóbio ruborizou-se e respondeu:

Sinto-me realmente numa hora de testemunho. Devo confessar que, em minha mocidade, fui ladrão, mas, há vinte anos, após um roubo por mim praticado, alguém se compadeceu de minha juventude viciada e colocou-me nas mãos uma obra de Allan Kardec. Reformei-me. Compreendi que a vontade cria o destino e sou hoje outro homem...”

Todos ficaram estupefatos ao ouvir o seu pronunciamento.

       “Sr. Zenóbio aparteou o catedrático não tive intenção de ofendê-lo... Não tenho simpatia pelo Espiritismo, mas não creio que o senhor tenha errado alguma vez. Perdoe-me.

       Mas Zenóbio, agora sorrindo sereno, enfiou a mão no bolso interno do paletó e arrancou de lá um anel e entregou-o ao educador, exclamando:

        Fui eu que lhe furtei a joia, em Buenos Aires. Há vinte anos eu a trago no bolso, para devolvê-la ao legítimo dono.

       Num rasgo de imenso valor moral, fitou os circunstantes e acentuou:

        Creiam que hoje é um dos mais belos dias de minha vida...

       E terminou, ante o emocionado silêncio de todos:

        Graças a Deus!” (7)

       Saber não é ser. Não basta só viver. Para se melhorar é necessário esforço e vontade em direção ao bem. Quem faz, aprende! Necessitamos desenvolver o sentimento na compreensão e na tolerância com as imperfeições dos outros, em vez de criticá-los, lembrando as palavras do Cristo: “ Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem”. (8)

Muita paz!

Notas  bibliográficas:

1 O Livro dos Espíritos Allan Kardec Parte 2ª, capítulo I, Questão 115 Feb.

2 Nosso Lar Espírito André Luiz Francisco Cândido Xavier Prefácio de Emmanuel: Novo amigo Feb.

3 O Livro dos Espíritos Allan Kardec Parte 3ª, capítulo IX Questão 804 Feb.

4 Idem, ibidem, Questão 785b.

5 Idem, ibidem, Questão 754

6 A Bíblia Sagrada João Ferreira de Almeida Lucas, 23.34

7 Almas em Desfile Espírito Hilário Silva Francisco Cândido Xavier 4ª edição, pág. 137 a 140 Feb.

8 Idem, ibidem João, 8.7.

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