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Artigo do Jornal: Jornal Fevereiro 2016

       Não há praticamente nenhuma conversação que seja entabulada em que logo, logo não se comece a falar de crise, de dificuldades materiais de todo tipo... Problemas em geral ligados à situação econômica, financeira e social.

       É certo que vivemos no mundo material enquanto encarnados; certo é que neste mundo necessitamos de condições materiais que possam nos oferecer uma situação de vida física minimamente digna, com possibilidades de trabalho, de moradia e abrigo, acesso à educação e à saúde, segurança e proteção. Tudo isso, na presente organização social, de uma forma ou de outra, deve ser garantido pelas entidades administrativas e autoridades criadas para esse fim.

       Naturalmente, dentro desse contexto, existe a nossa contribuição, a nossa parte ativa no cumprimento dos deveres que nos cabem como cidadãos inseridos num determinado momento, numa determinada conjuntura social. Saber que existem indivíduos e instituições responsáveis pela prestação dessas condições à população não significa assumirmos uma atitude passiva, sempre na expectativa de que outros promovam uma situação social melhor.

       Um mestre oriental, Thich Nhat Hanh, afirmou: “O momento presente é o único momento disponível para nós e é a porta de todos os outros momentos”. O que vem de encontro a um sábio ditado popular: “Não deixe para amanhã o que pode (e deve) ser feito hoje”.

       Vamos refletir um pouco sobre o que foi dito acima. Efetivamente, na verdade não vivemos no passado nem no futuro – nossa vida se processa sempre no presente! Ele é, portanto, o único e precioso momento para realizarmos seja o que for; e assim, consequentemente, este momento é o nascedouro de todos os outros “momentos presentes”! Por isso compreendemos que o “amanhã é agora”, que só existe o agora, o amanhã é expectativa ilusória, pois sempre e somente vivenciamos o presente! O que construímos é o presente, não o futuro.

       Parece complexa a minha colocação, mas na verdade é muito simples. Essa a razão do título dessa matéria – qualidade, a grande crise da atualidade. Porque as nossas preocupações fundamentais não são com a presente qualidade do que estamos fazendo; com a presente qualidade dos nossos pensamentos, das nossas atitudes; qual a qualidade do que estamos realizando hoje a fim de vivenciarmos um presente menos oneroso, menos pesado, menos angustiante.

       Qualidade é um requisito indispensável para tudo. E não se aplica somente a atitudes dos outros. Porque não podemos colocar qualidade nos feitos alheios, nem nos fatos perpetrados por outrem. Feitos e fatos refletindo no momento presente, não no passado nem no futuro.

       Cada criatura, cada um de nós, precisa elaborar o sentido de qualidade dentro de si mesmo, como se elaborando uma joia preciosa. Joia que na verdade já existe dentro de nós, semente crística de qualidade extrema adormecida em nosso íntimo... Jesus foi muito claro ao nos incentivar a deixarmos brilhar a nossa luz...

       Portanto, verdadeiramente, se tivermos coragem para nos enfrentar, constataremos que a crise não está fora, mas dentro de nós, de cada um de nós que aceita quase que passivamente o envolvimento com a grande onda negativista densa e opressora que a nossa ignorância e o nosso comodismo levantaram contra nós mesmos, seus criadores...

       Não têm sido poucas as advertências de bons amigos encarnados e desencarnados, ao mesmo tempo nos convocando para mudar a qualidade de nossos pensamentos e sentimentos, no sentido de opormos a essa onda negativa uma grande onda positiva, luminosa porque carregando em seu bojo a luz divina de cada um.

       É desse modo que estaremos construindo no momento presente, o único disponível, uma sociedade com outro entendimento do que seja qualidade: qualidade em todas as atividades, qualidade em todos os anseios, qualidade em todos os objetivos, qualidade em todos os relacionamentos. Construirmos a nós mesmos como seres de qualidade – “sois deuses, fareis o que eu faço e muito mais”, isso nos assegurou o Nazareno...

       Allan Kardec, em Obras Póstumas, afirma que: “A doutrina espírita não se limita a formar o homem para o futuro; forma-o também para o presente, para a sociedade”. E Deolindo Amorim, em Análises Espíritas, assevera que: “Embora se preocupe diretamente com a vida extraterrena, não deixa o Espiritismo, todavia, de cogitar do bem-estar humano, discutindo os aspectos fundamentais da questão social”.

       E todos compreendemos que o bem-estar social, bem como a formação do homem, dependem integralmente da qualidade que ele possa imprimir em sua vida, em função da qualidade de seu livre-arbítrio, o qual determinará a qualidade de sua atuação, quer na condição física quer na extrafísica.

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