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Artigo do Jornal: Jornal Janeiro 2016

Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

            Em artigo anterior, publicado no Jornal Correio Espírita de dezembro de 2015, discutimos e aprofundamos um pouco mais no significado de “mundo dos espíritos”, ao analisar a questão 84 d’O Livro dos Espíritos. Na ocasião, enfatizamos duas possibilidades para o “mundo dos espíritos": a) a condição do espírito na erraticidade, sem se relacionar com regiões do espaço podendo, inclusive, dividir o mesmo espaço com os encarnados e; b) o mundo que deve ser o foco de todos os espíritos, encarnados ou não, sua essência e, por isso, objeto principal de seus interesses pessoais norteando todos os seus atos, no plano físico ou na erraticidade, se liberando da dicotomia e servindo a Deus em todos os momentos.

            No intuito de aprofundar ainda mais nesta questão, que apresenta certa complexidade para o entendimento sob o ponto de vista de encarnado, Kardec, considerando a existência de dois mundos distintos apresenta o seguinte questionamento na questão 85 d’O Livro dos Espíritos: Qual dos dois, o mundo espírita ou o mundo corpóreo, é o principal, na ordem das coisas? A resposta não poderia ser mais clara: “O mundo espírita, que preexiste e sobrevive a tudo”.

            A questão 85 projeta alguma luz sobre o tema, pois afirma que o mundo espírita é, não apenas o principal, mas aquele que preexiste e sobrevive a tudo. Assim, temos que o mundo corpóreo, além de secundário, não possui uma existência intrínseca, isto é, não existe por si só, sendo decorrente do principal, e é finito no tempo.

            André Luiz (espírito), sob a psicografia de Francisco C. Xavier, no livro intitulado Evolução em Dois Mundos, utilizou a terminologia “criação" e “cocriação” para distinguir entre as obras de Deus e as dos espíritos. Desta forma, utilizando a mesma terminologia, pode-se dizer que o mundo material, ou corpóreo, sendo decorrente do mundo espírita, deve ser considerado como uma cocriação.

            Os dois mundos, sendo decorrentes da dicotomia entre os interesses que o espírito deveria ter e aqueles que atualmente possui, são um processo dinâmico, inseparáveis enquanto a dicotomia existir.

            O mundo material, apesar de ser uma cocriação decorrente dos processos mentais dos espíritos agindo no fluido cósmico, é alguma coisa, isto é, não se trata apenas de uma existência psíquica sem existir fisicamente. Este conceito é, algumas vezes, confundido com o niilismo, no qual não haveria uma condição material, mas apenas psíquica. A visão espírita deixa claro a realidade material.

            Desta forma, o mundo corporal existe, contudo, não é estático ou independente dos seres vivos. Os fenômenos materiais estão em conformidade com os espíritos que estejam ligados ao mundo; sofrendo a ação destes e reagindo sobre eles mesmos.

            Diante do exposto, podemos perceber mais claramente a Providência agindo sobre os espíritos. Os processos mentais dos espíritos exercem uma ação nos mais variados fenômenos materiais, contudo, para que possamos entender os efeitos dos nossos pensamentos, em decorrência da nossa ligação íntima com a matéria na qual atuamos, faz-se perceber em nós mesmos o efeito destes pensamentos ao sentirmos a reação dos processos materiais.

            Espíritos ligados à um mundo de expiação e provas apresentam as características da teimosia e de não se atentar para o que lhes acontece ao redor. Em decorrência desta falta de atenção, muitas vezes, é necessário que as situações que vivenciam atinjam situações extremas que, infelizmente, conduzem ao sofrimento cuja intensidade estará diretamente relacionada com o grau de teimosia e desatenção.

            A relação íntima entre o “mundo espiritual” e o “mundo material”, com um agindo e o outro reagindo está explicitado nas seguintes questões d’O Livro dos Espíritos:

 

86. O mundo corporal poderia deixar de existir, ou nunca ter existido, sem que isso alterasse a essência do mundo espírita?

“Decerto. Eles são independentes; contudo, é incessante a correlação entre ambos, porquanto um sobre o outro incessantemente reagem”.

 

87. Ocupam os Espíritos uma região determinada e circunscrita no espaço?

“Estão por toda parte. Povoam infinitamente os espaços infinitos. Tendes muitos deles de contínuo a vosso lado, observando-vos e sobre vós atuando, sem o perceberdes, … Nem todos, porém, vão a toda parte, por isso que há regiões interditas aos menos adiantados”.

            Nesta interação entre o que podemos chamar de “dois mundos”, o espírita e o material, o processo inicial de interação sempre partirá do ser inteligente, isto é, o espírito. Esta inter-relação íntima, sem uma distinção de fronteiras bem definidas, estabelece a coexistência de todos os espíritos em uma determinada faixa evolutiva, independentemente da condição transitória da encarnação.

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