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Artigo do Jornal: Jornal Dezembro 2015

Lá vai ele de novo para o trabalho assistencial... Tem coisa melhor para fazer não? Busca dominar suas tendências ancestrais, ele diz. Faz esforço para que no mundo da ação, pelo menos, não se manifeste o pensamento. Besteira! Estuda, reflete, discute e cresce... é o que ele diz... Se reveste dessa tal de prece, busca sintonizar com esses chamados amigos espirituais, gente nova no pedaço. Como pode? Quem te viu, quem te vê, Arnaldo!

Não se lembra mais aqueles tempos, as coisas que fazíamos... Mudou seus valores, rapaz, nos abandonou... Rompeu compromissos que nos sustentam há séculos... Mas, tenho certeza que ele está aí, o homem velho. O nosso velho amigo se esconde em algum lugar dos recônditos de sua mente e nas horas surdas, de dor e solidão, sentimos ele aparecer, clamar pela volta, triunfante. É, Arnaldo, queremos você de volta, longe dessa baboseira de gente fraca, de perdão, de amor, de caridade...

Não nos convence essa sua nova capa, esse envelopamento que chamas de ‘novas disposições’ e esconde a sua verdadeira essência... Sabemos que o Arnaldo das antigas, o cara da pesada, não vai resistir a esses problemas que insistentemente chegam à sua vida. A doença, a carência material, a ingratidão, o chamado do prazer. Para que resistir, se assim é a condição humana? Essa coisa horrível que Deus colocou na Terra, que mata e destrói seu semelhante por prazer. Somos isso mesmo, Arnaldo, essa coisa que não presta e a nossa esperança, a nossa fé, é apenas no que pudermos levar nas mãos, para atender nossos desejos, nossa satisfação... Imagem e semelhança” (risos).

Diante dessa manifestação psicofônica na reunião mediúnica semanal, Juvenal sai apreensivo à frente dos desafios da reforma íntima preconizada na Doutrina Espírita. Pensa o dirigente a que pressões se submete o candidato a renovação em mais uma encarnação, as demandas de amigos do passado, as suas próprias tendências, os chamamentos do mundo, em tempos de prazer hipervalorizado, de egoísmo e orgulho proclamados. Desesperança campeando pelas falas e discursos, uma visão pessimista do homem e a sua natureza.

Pela rua, chutando lata, voltando para sua humilde residência, para seus problemas cotidianos, pensa Juvenal nos jornais, nos amigos, nas suas dificuldades, dos pensamentos que às vezes lhe assaltam a mente e se indaga sobre as lutas que se avolumam na existência, as chamadas “montanhas do eu” que se erguem, ao fim de cada escalada, de cada esforço. Uma luta solitária, que respondemos perante a nossa consciência. Uma luta que aparentemente se faz inglória, mas que traz como prêmio o amadurecimento espiritual. Luta, dia a dia...

Recorda nosso introspectivo protagonista de pessoas que superaram esses desafios com louvor, que venceram o mundo. Algumas célebres, outras anônimas. Mas, que pelo seu esforço, avançaram um degrau da evolução, rompendo a inércia, se tornando mais leves. Pensa nos seus desafios, nas suas dificuldades íntimas, e lembrando da mensagem sobre Arnaldo, recorda que cada um carrega a sua cruz, proporcional as suas forças. Lembra de rezar por Arnaldo, ainda que não o conheça, mas que deve ser objeto de pressões e perseguições dos espíritos que se manifestaram.

Chega em casa o esforçado dirigente, atua em afazeres domésticos, beija a filha adormecida e deita-se ao lado da esposa, no repouso que buscará refazer o corpo que cedo acordará para a labuta honesta. Faz seu exame de consciência, sobre o que é, e no que tem se tornado. Arrepende-se do que fez e do que não fez. Agradece a família, a saúde, a vida, e a possibilidade de ter uma filosofia que permite a ele enxergar a realidade espiritual. Vira-se para o lado, cansado e ensaia o merecido processo de sonolência.

À medida que o sono chega, Juvenal acorda sobressaltado, em um pulo na cama, pela ação de uma voz, entre terna e rancorosa, que diz no interior de sua mente:

“Boa noite, Arnaldo!”

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